O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, convidou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para participar de um seminário promovido pelo governo do presidente Donald Trump sobre o que Washington classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda”. O evento está previsto para o dia 16 de julho, e o chanceler brasileiro ainda avalia se participará.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, a iniciativa busca fortalecer a cooperação internacional no combate a organizações enquadradas pelos EUA como terroristas. O governo americano afirma que pretende ampliar ações contra crimes como assassinatos, sequestros, ameaças violentas a autoridades e instalações públicas, ataques à infraestrutura crítica, militares e civis.
Pigott declarou que, na avaliação de Washington, essa ameaça não recebeu a devida atenção em anos anteriores e que programas de assistência e cooperação em segurança podem reforçar as medidas de combate ao terrorismo tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos.
Convite ocorre após desgaste entre Washington e Itamaraty
O convite foi feito poucos dias após um episódio de tensão diplomática entre os dois países.
Na última semana, o governo norte-americano classificou como “absurda” uma declaração de Mauro Vieira sobre uma suposta possibilidade de uso de forças militares dos EUA em território brasileiro.
O episódio também gerou desconforto no Palácio do Planalto. Segundo informações divulgadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou equivocada a resposta oficial enviada pelo Itamaraty a um requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES).
O parlamentar questionava quais seriam os possíveis impactos para o Brasil após os Estados Unidos classificarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
EUA já haviam negado intervenção militar
No início de junho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia negado publicamente qualquer possibilidade de intervenção militar em território brasileiro.
Agora, o convite para o seminário é visto como mais um capítulo da interlocução entre Brasília e Washington em meio às discussões sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado e ao terrorismo.