O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, senador republicano Jim Risch, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) representam ameaças aos interesses norte-americanos no Brasil e em outros países do Hemisfério Ocidental.
Em declaração ao Metrópoles, Risch defendeu a decisão do governo de Donald Trump de classificar as duas facções criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). Segundo ele, a medida amplia os mecanismos disponíveis para combater a atuação dos grupos.
“O governo está certo em designar o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras. Por meio do tráfico de drogas, da violência e da lavagem de dinheiro, esses grupos representam ameaças aos interesses dos EUA no Brasil e no Hemisfério Ocidental”, afirmou o senador.
Risch também destacou a cooperação entre Estados Unidos e Brasil no combate ao crime organizado e disse esperar a continuidade da parceria com as forças de segurança brasileiras.
“Os EUA contam com parceiros sólidos nas forças de segurança no Brasil, e esperamos continuar a colaboração para atender às demandas da população brasileira por maior segurança interna”, declarou.
O senador lidera a Comissão de Relações Exteriores do Senado americano durante o 119º Congresso e é uma das principais figuras do Partido Republicano em assuntos relacionados à política externa e segurança internacional.
EUA contestam posição do Itamaraty
A manifestação do parlamentar ocorreu um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos rebater declarações do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, sobre uma possível intervenção militar americana no território brasileiro após a classificação das facções.
A diplomacia norte-americana classificou como “absurda” a preocupação apresentada pelo chanceler brasileiro e afirmou que as medidas adotadas por Washington têm como objetivo combater organizações criminosas que passaram a atuar também dentro dos Estados Unidos.
“O comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas”, afirmou o Departamento de Estado.
O governo americano também negou que a classificação das facções tenha relação com uma eventual intervenção no Brasil e afirmou que declarações sobre uso da força militar poderiam beneficiar grupos criminosos.
Sanções contra suposta rede ligada ao PCC
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras foi anunciada pelo governo Trump em 5 de junho, como parte da estratégia americana de ampliar ações contra o crime organizado internacional.
Após a decisão, Washington anunciou as primeiras sanções relacionadas à medida. Dois brasileiros, três empresas no Brasil e uma companhia localizada em Portugal foram apontados pelo governo americano como integrantes de uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Segundo as autoridades dos Estados Unidos, o esquema teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e outras atividades ilegais.
Com as sanções, bens sob jurisdição americana podem ser bloqueados, e cidadãos, empresas e instituições financeiras dos Estados Unidos ficam proibidos de realizar negócios ou fornecer apoio financeiro aos alvos.
Documento do Itamaraty motivou reação americana
A resposta dos Estados Unidos ocorreu após um documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados brasileira.
No texto, Mauro Vieira afirmou que a decisão unilateral de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas poderia permitir ações extraterritoriais dos Estados Unidos, incluindo, segundo ele, um eventual “risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.
O chanceler também argumentou que a legislação americana de combate ao terrorismo permite medidas administrativas, financeiras, migratórias e penais contra pessoas e empresas sem necessariamente haver vínculo direto com os Estados Unidos.
O Itamaraty afirmou ainda que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial de Washington sobre a designação das facções e reforçou sua posição contrária à medida.
