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Início Brasil

Governo dos EUA acusa o Brasil de censurar cidadãos e empresas americanas, veja detalhes

Por Junior Melo
09/jul/2026
Em Brasil, Mundo
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante a cerimônia de diplomação na sede do TSE. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante a cerimônia de diplomação na sede do TSE. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

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O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, liderado pelo republicano Jim Jordan, divulgou nesta quarta-feira (8) uma atualização de um relatório chamado “Arquivos da Censura no Brasil”, no qual acusa autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar restringir a liberdade de expressão de cidadãos e empresas americanas em plataformas digitais.

Segundo o documento, o Brasil estaria adotando medidas que afetariam empresas de tecnologia sediadas nos Estados Unidos. “O Brasil tem tentado censurar a liberdade de expressão americana em plataformas americanas há anos. Agora, está indo atrás de empresas e consumidores americanos também”, afirma o relatório.

O material retoma críticas já apresentadas em documentos divulgados anteriormente e reúne decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais como Facebook, Instagram e Telegram.

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Relatório cita decisões contra plataformas

Entre os documentos apresentados estão ordens judiciais que determinaram a suspensão de perfis e o fornecimento de dados cadastrais de usuários em até 48 horas, sob pena de multas diárias.

O comitê americano afirma que essas decisões indicariam uma tentativa de obrigar empresas estrangeiras a remover conteúdos ou bloquear contas em escala internacional, o que, segundo o relatório, poderia violar a liberdade de expressão prevista nos Estados Unidos.

O documento também menciona uma decisão judicial que determinou a suspensão de um perfil em uma ação cível, argumentando que a Justiça brasileira pode atuar quando conteúdos divulgados causam prejuízos a cidadãos brasileiros, mesmo quando publicados fora do país.

Caso envolvendo Rumble é citado

O relatório dedica parte da análise ao bloqueio da plataforma Rumble no Brasil, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes após a empresa não cumprir ordens de remoção de conteúdo.

Segundo o comitê, o CEO da plataforma, Chris Pavlovski, teria questionado a autoridade das decisões brasileiras sobre uma empresa sediada nos Estados Unidos.

Em resposta, Moraes afirmou que Pavlovski estaria confundindo liberdade de expressão com uma suposta “liberdade de agressão”.

O documento americano também cita o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (CIEDDE), acusando o órgão de tentar solicitar a retirada de publicações do X (antigo Twitter) que faziam elogios ao ex-presidente americano Donald Trump e críticas ao governo de Joe Biden. Segundo o relatório, a plataforma teria recusado os pedidos.

Acusações de perseguição política

O comitê afirma que as decisões do ministro Alexandre de Moraes seguiriam um padrão de direcionamento contra opositores políticos e cita como exemplo uma determinação envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o relatório, a decisão teria ocorrido após Eduardo Bolsonaro defender medidas contra Moraes nos Estados Unidos. O documento afirma que o STF justificou a medida pela circulação de informações falsas relacionadas a autoridades do sistema financeiro nacional.

O comitê americano classificou a decisão como uma possível retaliação política.

O relatório também afirma que o Brasil teria articulado ações relacionadas ao combate à desinformação com a Universidade de Stanford e outros governos durante um fórum realizado em setembro de 2025.

Governo brasileiro rejeita acusações

O Itamaraty contestou as acusações apresentadas pelo comitê americano e afirmou que as decisões do Judiciário brasileiro seguem a Constituição e não representam censura.

Segundo o governo brasileiro, as medidas têm como objetivo impedir o uso das plataformas digitais para práticas como incitação à violência e ataques ao Estado Democrático de Direito.

A divulgação do relatório ocorreu na mesma semana em que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou a possibilidade de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A investigação americana lista a questão da regulação das plataformas digitais e da liberdade de expressão como um dos pontos analisados nas relações comerciais entre os dois países.

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