A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou nesta segunda-feira (13) que as críticas recebidas por supostos gastos excessivos em viagens internacionais são motivadas por “misoginia pura”. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Frente a Frente, produzido pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.
Segundo Janja, muitas das despesas atribuídas a ela incluem custos de toda a comitiva presidencial, o que, de acordo com a primeira-dama, gera uma percepção equivocada sobre os gastos.
Ela também explicou que viaja em classe executiva por determinação dos protocolos de segurança adotados pela Polícia Federal (PF).
“Nunca falamos sobre eu gastar demais. Às vezes colocam todos os gastos da comitiva de uma viagem na minha conta. Não posso andar de econômica, tem que ser executiva, é questão de segurança. Por mim eu não andava com segurança, mas a PF tem que estar comigo. Tem alguns regramentos que eu tenho que seguir”, afirmou.
Janja disse ainda que todas as viagens oficiais seguem procedimentos de transparência e prestação de contas.
“Eu presto contas, tudo meu é público, quando viajo tem briefing”, declarou.
Atuação como primeira-dama
A primeira-dama tem sido alvo de críticas de parlamentares da oposição, principalmente em razão de agendas internacionais relacionadas a temas como combate à fome e enfrentamento da violência contra a mulher.
Em abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, por unanimidade, os processos que questionavam despesas e viagens de Janja, ao concluir que não foram identificadas irregularidades nos gastos.
Durante a entrevista, Janja também afirmou que o Brasil nunca teve uma primeira-dama com atuação semelhante à sua.
“A gente fez uma normativa há dois anos, regulamentou algumas questões internas com relação a isso para ficar muito mais transparente. A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente. Eu vou quase todos os dias para o Planalto, faço reunião, faço agenda, viajo a trabalho. A sociedade brasileira, de modo geral, e a imprensa também não estavam acostumados com isso”, disse.
Apelo ao Congresso
Ao final da entrevista, Janja defendeu a aprovação do projeto de lei que prevê a criminalização da misoginia, proposta que atualmente aguarda análise na Câmara dos Deputados.
Segundo ela, o enfrentamento ao ódio contra as mulheres deve ser tratado como uma pauta nacional, independente de posições políticas ou religiosas.
