O governo federal avalia destinar aos Correios, na proposta do Orçamento de 2027, um valor inferior ao previsto no contrato de empréstimo firmado pela estatal. A ideia é complementar os recursos ao longo do ano por meio da abertura de créditos adicionais, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
A medida ainda está em análise e busca aliviar a pressão sobre o Orçamento de 2027, que enfrenta restrições para acomodar despesas obrigatórias e outras prioridades do governo. A proposta não representa, por enquanto, um corte definitivo nos recursos destinados à empresa.
Pelas condições do financiamento, a União se comprometeu a aportar pelo menos R$ 6 bilhões nos Correios até o fim de 2027. A exigência foi estabelecida pelos bancos que concederam o empréstimo — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander — como garantia da operação.
Integrantes da equipe econômica defendem reservar um valor menor inicialmente e, caso necessário, solicitar ao Congresso Nacional a liberação de recursos adicionais durante a execução do orçamento.
A estratégia, porém, enfrenta resistência dentro do próprio governo. Técnicos avaliam que um aporte abaixo do previsto pode gerar incertezas sobre a recuperação financeira da estatal e levantar dúvidas quanto ao cumprimento das condições do contrato de financiamento.
Os Correios atravessam uma grave crise financeira. A empresa registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, somado ao déficit de R$ 8,5 bilhões acumulado em 2025. A definição sobre o valor que será reservado no Orçamento dependerá da versão final da proposta orçamentária, que deve ser encaminhada ao Congresso até 31 de agosto.