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General apontado como linha-dura contra bolsonaristas na caserna ganha cargo estratégico na Fiesp, dizem fontes

Por Junior Melo
25/jul/2026
Em Brasil
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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O general de Exército da reserva João Chalella Júnior, que ocupou um dos postos mais importantes da estrutura administrativa do Exército Brasileiro, passou a integrar a estrutura dos Conselhos Superiores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), segundo informações obtidas por fontes ligadas à entidade. A indicação teria ocorrido na gestão de Paulo Skaf e chama atenção nos bastidores pelo histórico recente do oficial dentro da Força.

Chalella foi chefe do Departamento-Geral do Pessoal (DGP), órgão responsável pela gestão de pessoal do Exército. Documentos oficiais confirmam que ele permaneceu efetivamente no comando do departamento até 11 de setembro de 2025, quando foi sucedido pelo general Luiz Fernando Estorilho Baganha. O decreto presidencial que reorganizou postos do Alto Comando já havia determinado sua exoneração do cargo a partir de 31 de julho daquele ano.

O posto ocupado por Chalella era especialmente sensível. O DGP está diretamente relacionado à administração da dimensão humana da Força e possui atribuições que alcançam movimentações, carreira e diversos atos administrativos envolvendo militares. Documentos publicados no Diário Oficial mostram Chalella assinando, ainda em 2025, portarias relacionadas a promoções e outros atos de pessoal.

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Nos bastidores militares, Chalella era apontado por interlocutores como integrante da ala próxima ao atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, e como um dos oficiais resistentes à atuação político-partidária dentro dos quartéis. Fontes ouvidas relatam ainda que sua passagem pelo DGP teria sido marcada por uma postura dura em relação a militares identificados com o bolsonarismo. Não foram localizados, entretanto, documentos oficiais que permitam atribuir individualmente a Chalella eventuais punições ou perseguições por motivação política, razão pela qual essa avaliação deve ser tratada como relato de bastidores, e não como fato comprovado.

A chegada do general da reserva à Fiesp ocorre justamente na nova gestão de Paulo Skaf. A própria Fiesp⁠ informou que Skaf assumiu o mandato 2026–2029 e ampliou para 18 os Conselhos Superiores, fóruns vinculados ao Instituto Roberto Simonsen e destinados à discussão de políticas públicas e estratégias para o país. Entre os nomes convidados por Skaf para comandar conselhos estão Roberto Campos Neto, Sergio Moro, Tereza Cristina, Michel Temer e outros nomes de projeção nacional.

O movimento produz uma composição política curiosa. Segundo fontes, Chalella teria sido indicado para exercer função executiva ligada aos Conselhos Superiores justamente por Skaf, que mantém interlocução com diferentes setores políticos, inclusive nomes próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, porém, a página pública consultada da Fiesp não apresenta Chalella entre os presidentes dos 18 Conselhos, nem detalha nessa publicação a função de secretário-executivo atribuída a ele pelas fontes.

Outro episódio que voltou a chamar atenção foi a aparição recente do general da reserva em ambiente militar, durante uma formatura com a presença de oficiais da ativa. O registro compartilhado nas redes mostra Chalella em cerimônia ligada ao Exército, reforçando que, mesmo depois de deixar o serviço ativo, ele continua circulando em ambientes institucionais da Força.

A trajetória de Chalella mostra o peso que possuía antes de passar para a reserva. Em abril de 2024, por exemplo, o Hospital das Forças Armadas registrou oficialmente uma visita institucional do então chefe do DGP, ocasião em que ele foi recebido com o cerimonial reservado às autoridades militares.

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