As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 13% no primeiro semestre de 2026, totalizando US$ 17,4 bilhões. O valor é o menor já registrado na série histórica iniciada em 1997, segundo levantamento divulgado pela Amcham Brasil.
O resultado ocorre em meio aos efeitos das tarifas aplicadas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros, mesmo com a existência de uma lista de exceções.
Com a redução das vendas, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual da série histórica. No mesmo período, as exportações do Brasil para outros mercados avançaram 11,5%, impulsionadas principalmente pela China, que registrou crescimento de 21,9%, e pela União Europeia, com alta de 12,8%.
O comércio total entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, uma retração de 12,8% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.
Produtos afetados por tarifas tiveram maiores perdas
De acordo com a Amcham Brasil, os produtos brasileiros submetidos às tarifas americanas apresentaram as maiores quedas no período. As vendas desses itens recuaram 16,6% no semestre, enquanto os produtos que não foram atingidos pelas sobretaxas tiveram redução de 8,7%.
Entre os principais produtos que perderam espaço no mercado dos Estados Unidos estão o petróleo bruto, com queda de 30,4%; café não torrado, com recuo de 34,8%; produtos semiacabados de ferro ou aço, com baixa de 21,7%; celulose, com redução de 9,4%; e ferro-gusa, com queda de 1,2%.
Na contramão desse movimento, alguns setores registraram crescimento nas exportações para o mercado americano. Entre eles estão aeronaves, com alta de 32,9%; carne bovina, com avanço de 41%; óleos combustíveis, com crescimento de 13,7%; equipamentos de engenharia, com aumento de 23,8%; e máquinas destinadas à geração de energia elétrica, com expansão de 16%.
Empresas defendem acordo entre Brasil e EUA
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, os números mostram o impacto da atual fase do comércio bilateral e reforçam a necessidade de um entendimento entre os governos brasileiro e americano.
“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas”, afirmou o executivo em nota.
Nesta quarta-feira (22), entrou em vigor uma nova tarifa de 25% anunciada pela Casa Branca após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Apesar de aproximadamente 60% da pauta de exportações brasileiras permanecer fora da cobrança, uma parcela significativa dos produtos manufaturados passou a ser afetada pela nova tarifa.
Importações também diminuem
As importações brasileiras de produtos norte-americanos também apresentaram queda no primeiro semestre de 2026, com redução de 12,5%.
O recuo foi influenciado principalmente pela diminuição nas compras de máquinas e motores, que caíram 76%, e de aeronaves e componentes, que tiveram retração de 14,6%.
Apesar do cenário negativo, o mês de junho apresentou uma recuperação. Após dez meses consecutivos de queda, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em comparação com junho do ano anterior.
Mesmo com o resultado positivo no último mês, a Amcham destaca que o comércio entre os dois países continua sob incertezas, principalmente diante da possibilidade de novas tarifas americanas e dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de energia.
