O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Andrade Saadi, afirmou que a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode gerar reflexos indiretos no sistema financeiro brasileiro.
Em entrevista à Record, Saadi explicou que a medida possui efeitos jurídicos diretos apenas nos Estados Unidos. No entanto, destacou que instituições financeiras brasileiras precisam acompanhar os desdobramentos devido às relações de correspondência mantidas com bancos norte-americanos.
Segundo ele, essas parcerias internacionais exigem o cumprimento de regras e padrões de conformidade, o que pode levar a um reforço nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
Saadi lembrou que bancos, imobiliárias e outros setores regulados já são obrigados por lei a comunicar ao Coaf operações consideradas suspeitas. Com a nova classificação adotada pelos Estados Unidos, a tendência é que essas comunicações preventivas aumentem.
O presidente do órgão ressaltou que o objetivo é fortalecer o monitoramento de movimentações financeiras que possam estar relacionadas a organizações criminosas ou ao financiamento de atividades ilícitas.