A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, voltou a defender a confiabilidade das urnas eletrônicas e afirmou que não vê motivos para que pessoas “em sã consciência” duvidem da segurança do sistema eleitoral brasileiro.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (23), durante uma coletiva de imprensa na programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
“Eu não acredito mais que alguém em sã consciência tenha dúvidas sobre a urna. Elas passam por um processo de auditoria que é repetido, que é reiterado. São nove provas”, afirmou a ministra.
A manifestação ocorre poucos dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ)questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um encontro com representantes diplomáticos de 42 países.
Durante a coletiva, Cármen Lúcia também afirmou que a democracia enfrenta desafios no Brasil e em outras partes do mundo.
“Vivemos tempos muito difíceis, com muitos riscos, no mundo inteiro, e aqui não é diferente, de fragilização democrática, porque há sempre aqueles que não gostam de democracia e não gostam da liberdade dos outros”, declarou.
PT aciona o TSE
Após a repercussão das declarações de Flávio Bolsonaro, a federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral contra o senador.
Além de Flávio, a ação também inclui o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO)e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC).
Segundo a federação, os quatro políticos teriam atuado de forma coordenada para disseminar desinformação ao questionarem a confiabilidade das urnas eletrônicas. A representação sustenta que eles utilizaram um relatório desclassificado da CIA sobre o sistema eleitoral da Venezuela para levantar dúvidas sobre as eleições brasileiras, embora o documento, segundo a ação, trate exclusivamente do processo eleitoral venezuelano e não faça referência ao sistema adotado no Brasil.