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Início Justiça

Bomba: PF aponta suposta reunião para influenciar comando do INSS; Pacheco nega encontro e diz haver “confusão de informações”

Por Junior Melo
15/jul/2026
Em Justiça
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Um relatório da Polícia Federal (PF) apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, teria se reunido, em 2023, com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para tratar da nomeação da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação integra a primeira fase da investigação da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e inclui o indiciamento de 48 pessoas.

Agora, o material será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso.

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PF aponta articulação para influenciar nomeações

Segundo o relatório, o encontro entre Carlos Lopes e Rodrigo Pacheco teria sido organizado pelo então deputado federal Euclydes Pettersen e ocorrido em 1º de fevereiro de 2023, data da posse dos parlamentares eleitos.

Para a PF, mensagens obtidas durante a investigação indicam que a reunião teria como objetivo discutir a nomeação do presidente do INSS e de outros cargos considerados estratégicos.

No documento, os investigadores afirmam que a escolha de posições como a presidência do instituto, a Diretoria de Benefícios e a Procuradoria-Geral do INSS seria essencial para garantir a continuidade do suposto esquema criminoso e dificultar auditorias internas.

Ainda de acordo com a investigação, no dia seguinte ao suposto encontro, em 2 de fevereiro de 2023, Glauco André Fonseca Wamburg foi nomeado presidente do INSS. Ele permaneceu no cargo até julho daquele ano, quando foi substituído por Alessandro Stefanutto.

Indiciamentos e foragidos

Carlos Lopes foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro qualificada e corrupção ativa majorada. Segundo a Polícia Federal, ele está foragido desde o ano passado.

Seu irmão, Tiago Abraão Lopes, também dirigente da Conafer, igualmente foi indiciado na investigação.

Já o ex-deputado Euclydes Pettersen, apontado como responsável por intermediar o encontro, foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Sem Desconto, em novembro de 2025. A PF suspeita que ele tenha recebido propina para defender interesses do grupo investigado e também o incluiu entre os indiciados.

Pacheco nega qualquer participação

Em nota, o senador Rodrigo Pacheco negou ter se reunido com Carlos Lopes e afirmou nunca ter participado de discussões sobre indicações para a presidência do INSS.

Segundo o parlamentar, ele sequer conhecia Carlos Lopes ou Bruna Braz e declarou que jamais indicou nomes para cargos no instituto.

Pacheco afirmou ainda que a investigação parece ter misturado fatos distintos.

“Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg, que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores. Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui”, afirmou o senador.

A investigação segue em andamento e caberá agora à Procuradoria-Geral da República decidir quais medidas serão adotadas com base nas conclusões apresentadas pela Polícia Federal.

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