A circulação de Mateus da Costa Meira, autor do ataque a tiros em um cinema de São Paulo, em 1999, tem gerado preocupação entre comerciantes e frequentadores do Shopping Barra, em Salvador. Solto em 2024 por decisão da Justiça da Bahia, o ex-estudante de Medicina passou a frequentar regularmente o centro comercial, onde visita cafeterias, livrarias e salas de cinema.
Mateus da Costa Meira foi condenado pelo ataque ocorrido durante uma sessão de cinema no Morumbi Shopping, que resultou na morte de três pessoas e deixou outras nove feridas. Após mudanças em sua situação jurídica, ele passou a viver em Salvador.
Segundo relatos de comerciantes, a presença do ex-detento tem causado apreensão. Alguns afirmam que, ao reconhecê-lo, passaram a compartilhar fotografias em grupos de mensagens. O Shopping Barra, um dos principais centros comerciais da capital baiana, recebe cerca de 50 mil visitantes por dia.
Mateus vem sendo fotografo por frequentadores de shopping em Salvador — Foto: Reprodução
Uma comerciante relatou que inicialmente teve dúvidas sobre a identidade de Mateus devido às mudanças em sua aparência, mas afirmou que a informação rapidamente se espalhou entre os lojistas, provocando receio.
Histórico judicial
Após o ataque de 1999, a defesa de Mateus alegou que ele sofria de transtornos mentais que o tornariam inimputável. No entanto, uma perícia realizada por especialistas nomeados pela Justiça de São Paulo concluiu que ele compreendia o caráter ilícito de seus atos e tinha capacidade para responder criminalmente.
Os laudos destacaram que o crime foi planejado, citando a aquisição da arma, a compra de munições e outras ações que demonstrariam organização e capacidade de planejamento. Em 2003, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri e iniciou o cumprimento da pena.
No ano seguinte, foi transferido para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador. Durante o período em que esteve preso, respondeu a outro processo após ser acusado de tentar matar um companheiro de cela.
Mudança de entendimento na Bahia
Durante o novo processo, a defesa voltou a sustentar que Mateus era inimputável. O caso passou por novas avaliações psiquiátricas, que levantaram diferentes hipóteses diagnósticas.
No julgamento, o Ministério Público da Bahia aderiu à tese da inimputabilidade. Com isso, Mateus recebeu uma absolvição imprópria e foi submetido a medida de segurança, permanecendo internado em um hospital de custódia até que exames indicassem a cessação de sua periculosidade.
Em 2024, a Justiça da Bahia autorizou sua desinternação.
Especialistas divergem sobre retorno ao convívio social
Especialistas ouvidos pela reportagem manifestaram preocupação com a decisão. A psiquiatra Grace Adriana Lopes Conceição, que acompanhou Mateus durante sua internação, afirmou entender que ele deveria permanecer em ambiente monitorado.
Segundo a médica, o risco estaria relacionado a traços de personalidade antissocial, como ausência de empatia, frieza e capacidade de planejamento, e não apenas a um eventual transtorno psiquiátrico.
Procurados para comentar o caso, os pais de Mateus, o Ministério Público da Bahia e o Tribunal de Justiça da Bahia não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
