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Início Política

As contas que Flávio faz para não ter “jogado a toalha” ainda

Por Junior Melo
01/jul/2026
Em Política
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Por trás da disputa contra Lula, o maior desafio de Flávio Bolsonaro pode estar dentro da própria direita.

A escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para liderar a candidatura presidencial do campo bolsonarista em 2026 abriu uma nova fase da disputa política nacional. Se, por um lado, o parlamentar se tornou o nome oficial do grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, por outro, enfrenta uma resistência crescente entre setores que sempre estiveram ao lado do bolsonarismo.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação predominante é que o cenário inicialmente considerado ideal para a direita seria uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Pesquisas e análises eleitorais apontavam que Tarcísio reunia melhores condições de ampliar o eleitorado conservador e disputar o Palácio do Planalto em um ambiente considerado amplamente favorável à oposição.

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Entretanto, pesou a percepção dentro do núcleo bolsonarista de que, uma vez eleito, Tarcísio não garantiria protagonismo político à família Bolsonaro. Integrantes do grupo lembram que, durante seu governo em São Paulo, o governador não abriu espaço significativo para a ala mais fiel ao ex-presidente e manteve uma relação institucional com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, figura frequentemente criticada por apoiadores de Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro chegou a ser visto como alternativa natural, mas sua situação jurídica acabou inviabilizando esse caminho, segundo a avaliação do grupo político ligado ao ex-presidente. Com isso, Flávio tornou-se a opção disponível para manter o controle político da candidatura dentro da família Bolsonaro.

Mas é justamente seu perfil que provoca desconfiança entre parte da direita.

Enquanto Jair Bolsonaro e Eduardo sempre construíram suas imagens sobre um discurso fortemente ideológico, aliados e adversários descrevem Flávio como um político pragmático, afeito às negociações e ao diálogo com partidos de centro. Nos corredores de Brasília, é frequentemente apontado como o integrante da família com maior capacidade de articulação política tradicional — característica vista por alguns como qualidade, mas interpretada por outros como um afastamento das bandeiras que impulsionaram o bolsonarismo desde 2018.

A velha controvérsia envolvendo o caso das chamadas “rachadinhas” já representava um desgaste político relevante. No entanto, interlocutores da direita avaliam que um episódio mais recente ampliou a crise de confiança.

O caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ganhou repercussão após a divulgação de um áudio no qual Flávio Bolsonaro solicita apoio financeiro para um filme sobre Jair Bolsonaro. O episódio passou a ser interpretado, por integrantes do próprio campo conservador, não apenas pelo pedido de recursos em si, mas principalmente pela divergência entre declarações públicas anteriores e o conteúdo revelado posteriormente.

Entre lideranças da direita, a leitura é que o desgaste decorreu mais da condução política do episódio do que do pedido de financiamento propriamente dito. Nos bastidores, houve quem defendesse que Flávio deveria abrir mão da candidatura diante do impacto negativo do caso.

Apesar disso, pessoas próximas ao senador afirmam que sua estratégia permanece inalterada.

A avaliação feita por seu núcleo político é de que basta superar a convenção partidária e alcançar o segundo turno. A partir daí, acreditam que a lógica eleitoral levaria praticamente toda a direita a unificar apoio em torno de sua candidatura, independentemente das controvérsias acumuladas durante a campanha.

Nesse cálculo entram nomes importantes do campo conservador, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que, segundo aliados de Flávio, tenderiam a apoiá-lo diante da perspectiva de enfrentar Lula em uma eventual segunda rodada da eleição.

Mas um novo obstáculo surgiu dentro da própria família Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro, que também era apontada como possível alternativa eleitoral — inclusive como candidata a vice-presidente em uma chapa da direita — passou a demonstrar insatisfação com a consolidação do nome de Flávio. Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que ela considera possuir maior capacidade de preservar o legado político de Jair Bolsonaro do que o próprio filho do ex-presidente.

Segundo relatos de interlocutores desse grupo, Michelle intensificou sua atuação para impedir que Flávio chegue fortalecido à convenção partidária prevista para as próximas semanas.

Ainda de acordo com essas fontes, ela conta com o respaldo político de nomes como a senadora Damares Alves e o deputado federal Nikolas Ferreira, que demonstrariam reservas quanto à capacidade de Flávio de representar integralmente o projeto político iniciado por Jair Bolsonaro.

Uma fonte ligada ao grupo de Michelle resumiu a crítica em uma frase que circula reservadamente entre integrantes do movimento: “Flávio seria um Lula de direita”, numa referência ao entendimento de que faria concessões políticas consideradas excessivas para conquistar e manter o poder.

Se essa leitura corresponde ou não à realidade, trata-se de uma percepção que vem ganhando espaço em setores importantes do bolsonarismo.

Com isso, a batalha de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes mesmo de pensar no segundo turno, seu principal desafio passou a ser sobreviver politicamente dentro da própria direita e confirmar sua candidatura na convenção do partido.

Resta saber se conseguirá atravessar essa turbulência ou se acabará desistindo da disputa. Caso contrário, críticos de sua candidatura avaliam que uma divisão prolongada no campo conservador poderá favorecer a reeleição de Lula em 2026.

Nota aos leitores: esta matéria reúne análises políticas, relatos de bastidores e informações atribuídas a fontes. Afirmações sobre motivações, estratégias ou posicionamentos de pessoas citadas refletem avaliações de interlocutores e não constituem fatos comprovados, salvo quando baseadas em declarações públicas.

Por Júnior Melo

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