Um planeta gigante que permaneceu “escondido” por mais de uma década foi finalmente identificado por astrônomos que estudavam a estrela Beta Pictoris. A descoberta aconteceu de forma inusitada: duas equipes de pesquisadores, trabalhando de maneira independente, encontraram o mesmo planeta com apenas alguns dias de diferença no fim do ano passado.
O primeiro grupo, formado por cientistas da Escócia e da Alemanha, utilizou o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Após detectar o objeto, os pesquisadores revisaram dados arquivados e confirmaram que o planeta já aparecia em observações feitas há 11 anos, mas permanecia oculto pelo intenso brilho da estrela e pela presença de outros dois planetas no sistema.
“Foram 11 anos de um verdadeiro jogo de esconde-esconde”, afirmou Markus Bonse, do Observatório Europeu do Sul e um dos líderes da pesquisa.
Quase ao mesmo tempo, uma segunda equipe, liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, chegou à mesma conclusão utilizando o Telescópio Espacial James Webb, da Nasa. Com apenas duas observações realizadas pelo equipamento, considerado o mais poderoso já enviado ao espaço, os cientistas conseguiram identificar o planeta.
As duas pesquisas foram publicadas na revista científica Astrophysical Journal Letters.
A descoberta ocorreu por acaso. Ambos os grupos analisavam um dos planetas já conhecidos de Beta Pictoris quando identificaram um terceiro corpo celeste, significativamente menos brilhante e localizado mais distante da estrela. Para garantir a independência dos resultados, as equipes mantiveram seus estudos em sigilo até a conclusão das análises.
O novo exoplaneta possui massa ligeiramente superior à de Júpiter e leva cerca de 91 anos para completar uma volta ao redor de sua estrela — período semelhante ao de Urano em torno do Sol. Segundo os pesquisadores, trata-se provavelmente de um planeta jovem com características parecidas às do maior planeta do Sistema Solar.
A estrela Beta Pictoris está localizada a aproximadamente 63 anos-luz da Terra, na constelação austral de Pictor.
A descoberta também chama atenção pela forma como foi realizada. Dos mais de 6 mil exoplanetas já confirmados, menos de 100 foram encontrados por meio de imagens diretas. A maioria é detectada de maneira indireta, quando passa em frente à estrela e provoca uma pequena redução em seu brilho.
Agora, os cientistas esperam utilizar novas observações para compreender melhor as características do planeta recém-descoberto e obter mais informações sobre sua atmosfera, composição e evolução.
