O preço da picanha voltou a chamar atenção em 2026. Dados do IPCA-15 mostram que o corte acumula alta de 10,66% no primeiro semestre, acompanhando a valorização de praticamente toda a carne bovina.
Picanha está entre os cortes que mais encareceram?
Os números do IBGE mostram que a picanha registrou uma das maiores altas entre os principais cortes bovinos nos seis primeiros meses de 2026. O aumento de 10,66% supera a inflação acumulada no período.
Outros cortes também ficaram mais caros, indicando uma tendência generalizada de valorização da carne bovina. Apenas alguns produtos apresentaram reajustes mais moderados em comparação aos demais.
Veja quanto subiu cada corte de carne bovina
O levantamento revela diferenças entre os reajustes registrados em cada tipo de carne. Confira os principais aumentos acumulados no primeiro semestre:
- Peito: 10,90%
- Picanha: 10,66%
- Filé-mignon: 10,22%
- Alcatra: 9,48%
- Acém: 9,33%
- Patinho: 6,61%
- Cupim: 5,75%
Mesmo os cortes com menores reajustes apresentaram aumento, refletindo a pressão sobre todo o mercado de carne bovina.
Como as exportações explicam boa parte da alta dos preços?
Especialistas apontam que o avanço das exportações brasileiras é um dos principais fatores por trás da valorização da carne no mercado interno. A maior demanda externa reduz a oferta disponível para os consumidores brasileiros.
Levantamento do Itaú BBA mostra que os embarques para a China cresceram 24% entre janeiro e maio de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, o país asiático responde por 51% das exportações brasileiras de carne bovina.
China pode aliviar os preços temporariamente?
Desde janeiro, a China passou a cobrar uma sobretaxa de 55% sobre as exportações brasileiras que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas em 2026. Até esse limite, permanece válida a tarifa de 12%.
Analistas avaliam que uma eventual desaceleração das compras chinesas poderá gerar um alívio temporário nos preços internos, aumentando a oferta destinada ao mercado brasileiro.
Mercado ainda prevê novas altas até o fim do ano
Apesar da possibilidade de redução momentânea, a consultoria Safras & Mercado projeta nova pressão sobre os preços da carne bovina nos próximos meses. Entre os fatores estão a recuperação da demanda chinesa, o crescimento das importações pelos Estados Unidos e os efeitos do El Niño sobre a produção pecuária.
Já a suspensão das compras de carne bovina brasileira pela União Europeia tende a provocar impacto limitado no mercado nacional. Isso ocorre porque o bloco representa aproximadamente 3,5% das exportações brasileiras do setor, participação considerada relativamente pequena pelos especialistas.