Uma nomeação realizada pela nova presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gerou questionamentos e reacendeu debates sobre o escândalo dos descontos associativos investigado por órgãos de controle. A servidora Michelli Manieri foi promovida ao cargo de coordenadora-geral de atendimento do instituto por decisão da presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, que assumiu o comando da autarquia em abril.
A promoção chamou atenção porque Michelli já ocupou uma função estratégica na área responsável por fiscalizar acordos que autorizavam descontos de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Nome aparece em investigações e relatórios
Quando atuava na fiscalização desses convênios, Michelli Manieri assinou pareceres favoráveis à celebração de acordos com entidades como a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) e a AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).
As aprovações ocorreram ao lado do então servidor Geovani Batista Spiecker, citado pela Polícia Federal como um dos responsáveis por viabilizar a retomada de descontos posteriormente apontados como irregulares.
O nome da servidora também aparece em um relatório paralelo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O documento a menciona como responsável por estudos e notas técnicas que concluíram pela viabilidade operacional de entidades que já apresentavam ressalvas identificadas em auditorias.
Auditorias apontaram irregularidades
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal identificaram situações consideradas atípicas envolvendo algumas das associações autorizadas a realizar descontos nos benefícios previdenciários.
Segundo os documentos, uma das entidades chegou a registrar média de 846 novas filiações por hora. Já outra associação teria acumulado mais de 46 mil associados sem termos de adesão assinados.
Mesmo diante desses indícios, as entidades receberam pareceres técnicos favoráveis para operar junto ao INSS, entre eles documentos assinados por Michelli Manieri.
INSS defende legalidade da nomeação
Em nota, o INSS afirmou que todos os servidores de carreira nomeados para cargos de gestão passaram por verificações internas e análises conduzidas pelos órgãos competentes.
A autarquia informou ainda que não existem penalidades em vigor nem processos acusatórios em andamento contra a servidora, destacando que não há qualquer impedimento legal para sua nomeação.
Segundo o instituto, a escolha segue critérios administrativos e está de acordo com as normas aplicáveis à ocupação de cargos de confiança na administração pública.
Nomeação gera repercussão
A promoção ocorre em um momento de forte escrutínio sobre a atuação do INSS após a revelação de supostas irregularidades envolvendo descontos associativos realizados em benefícios previdenciários.
O caso segue sendo acompanhado por órgãos de controle, pelo Congresso Nacional e por autoridades responsáveis pelas investigações, enquanto a nova gestão busca implementar mudanças e recuperar a credibilidade da instituição.