Um vídeo compartilhado por perfis ligados ao PT passou a circular nas redes sociais sugerindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria agradecido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. No entanto, a gravação foi retirada de contexto e não faz referência às taxas anunciadas.
Como a montagem associa a declaração de Flávio às tarifas dos EUA?
A publicação reúne duas informações distintas. Primeiro, apresenta a notícia sobre a proposta de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em seguida, exibe Flávio dizendo que agradece a Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, por atenderem rapidamente ao seu pedido.
A montagem levou usuários a acreditar que o senador comemorava a taxação do Brasil. Entretanto, a fala original tratava de outro assunto e foi divulgada em um contexto completamente diferente. Veja a explicação feita por Flávio Bolsonaro:
O que Flávio Bolsonaro realmente agradeceu a Trump?
Na gravação original publicada em suas redes sociais, Flávio afirma que solicitou aos Estados Unidos a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Ao agradecer Trump e Rubio, o senador se referia à decisão anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano sobre essas organizações criminosas. Em nenhum momento do vídeo ele menciona tarifas comerciais ou medidas econômicas contra o Brasil.
Como ocorreu a sequência dos acontecimentos?
Os fatos ocorreram em uma ordem específica que ajuda a entender a polêmica. Entre os principais eventos estão:
- 7 de maio – Lula se reuniu com Trump na Casa Branca e discutiu temas relacionados ao combate ao crime organizado.
- 26 de maio – Flávio Bolsonaro encontrou-se com Trump nos Estados Unidos.
- 27 de maio – O senador participou de reunião no Departamento de Estado.
- 28 de maio – O governo americano anunciou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas globais.
- 28 de maio – Flávio publicou o vídeo de agradecimento nas redes sociais.
- 29 de maio – O Departamento de Estado negou que a decisão tenha sido influenciada por pedidos de políticos brasileiros.
Governo americano negou influência de políticos brasileiros
Após a repercussão do caso, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, declarou que a classificação das facções não foi motivada por solicitações feitas por políticos do Brasil.
Mesmo assim, o governo federal criticou a atuação de Flávio nos Estados Unidos. Em nota oficial, integrantes do governo acusaram o senador de defender uma forma de intervenção estrangeira em assuntos internos do País.
Como a disputa política aumentou após anúncio das tarifas?
Quando os Estados Unidos divulgaram a proposta de taxação sobre produtos brasileiros, adversários e aliados passaram a apresentar versões diferentes para explicar a decisão.
Enquanto setores ligados ao governo Lula relacionaram as tarifas à aproximação da família Bolsonaro com Trump, apoiadores do ex-presidente atribuíram a medida a divergências entre os governos brasileiro e norte-americano sobre temas comerciais.
Flávio afirma que pediu para os Estados Unidos não taxarem o Brasil
Em resposta às acusações, Flávio declarou que solicitou diretamente a Trump, ao vice-presidente JD Vance e a Marco Rubio que não fossem aplicadas tarifas contra empresas brasileiras.
Segundo o senador, o pedido foi feito durante reuniões realizadas nos Estados Unidos. Posteriormente, ele também enviou uma carta às autoridades americanas defendendo a retirada das medidas comerciais. Dias depois, Trump publicou uma foto do encontro com Flávio e afirmou que o parlamentar é um “jovem inteligente que ama muito seu País”.