O Partido Liberal (PL) deve colocar nas ruas nesta semana uma pesquisa eleitoral na Bahia com o objetivo de medir os possíveis efeitos políticos da operação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) no cenário eleitoral e na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo integrantes da sigla, o levantamento será realizado em um dos principais redutos eleitorais do PT e terá como foco central a avaliação das intenções de voto em possíveis cenários presidenciais, incluindo Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de outros nomes testados como potenciais candidatos.
A estratégia do partido é analisar se as investigações que atingem o líder do governo no Senado provocam algum impacto indireto na avaliação do presidente na Bahia, estado considerado decisivo para o desempenho eleitoral de Lula em disputas nacionais.
Aliados do PL afirmam que a Bahia tem peso simbólico e eleitoral relevante para o petista. Nas eleições de 2022, Lula obteve 72,12% dos votos válidos no segundo turno no estado, enquanto Jair Bolsonaro registrou 27,88%, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O desempenho baiano ficou atrás apenas do Piauí em termos de votação proporcional para o presidente.
No campo político, a avaliação interna do PL é de que a operação que envolve Jaques Wagner pode ter efeitos na percepção do eleitorado sobre o governo federal, especialmente em um momento de disputa antecipada de narrativas eleitorais.
Ao mesmo tempo, dirigentes do partido observam que a movimentação ocorre após variações recentes em cenários de intenção de voto, em que Lula teria ampliado vantagem sobre adversários da direita em alguns recortes, incluindo o desempenho de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados do PL afirmam ainda que a pesquisa busca aferir se o episódio pode gerar algum tipo de desgaste ao governo ou se o impacto permanecerá restrito ao ambiente político do Senado e às investigações em curso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Em paralelo, integrantes do partido também monitoram articulações internas no campo bolsonarista e defendem a ampliação da participação de Michelle Bolsonaro em agendas de campanha, como forma de reforçar a base eleitoral do grupo em diferentes regiões do país.
Os resultados da pesquisa devem servir como termômetro interno para avaliação de cenários e estratégias políticas do PL nos próximos meses.