O varejo brasileiro registrou em abril a maior queda em quase quatro anos, com recuo de 1,5%, segundo dados do IBGE, em um cenário de juros altos e retração em setores estratégicos.
O que explica a queda de 1,5% no varejo brasileiro em abril?
A retração de 1,5% nas vendas do varejo em abril surpreendeu o mercado e marcou o primeiro resultado negativo do ano. Na comparação anual, houve alta de 1,0%, mas abaixo das expectativas.
O desempenho ficou distante das projeções da Reuters, que estimavam queda menor de 0,6% no mês. O resultado também foi o mais fraco desde junho de 2022, quando o recuo chegou a 2,8%.
Quais setores mais puxaram o resultado para baixo no período?
A maior pressão sobre o varejo veio de atividades ligadas a combustíveis e bens duráveis, que registraram quedas relevantes. O impacto foi disseminado entre diferentes segmentos do consumo.
Entre as oito atividades analisadas pelo IBGE, seis tiveram retração, evidenciando perda de fôlego do comércio. Os principais recuos foram:
- Combustíveis e lubrificantes (-6,2%)
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%)
- Equipamentos de informática e comunicação (-4,5%)
- Móveis e eletrodomésticos (-0,8%)
- Vestuário e calçados (-0,1%)
- Artigos farmacêuticos e de perfumaria (-0,1%)
Onde o varejo conseguiu crescer mesmo com a desaceleração?
Apesar do cenário negativo, algumas atividades conseguiram avançar e evitar uma queda ainda maior no índice geral do comércio. O destaque veio de itens básicos de consumo.
Houve crescimento em setores ligados à alimentação e bens de menor volatilidade, que seguem sustentando parte da demanda interna. Entre os destaques positivos estão hiper e supermercados, com alta de 1,3%, e livros e papelaria, que cresceram 1,1%, indicando resiliência em categorias essenciais.
O que os dados do IBGE revelam sobre a tendência do consumo?
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, o resultado reflete um ajuste após meses de alta consistente. O avanço anterior elevou o patamar do varejo a níveis recordes.
Esse movimento gerou um chamado efeito de base, no qual crescimentos anteriores dificultam novas altas expressivas no curto prazo. Assim, o setor passou a devolver parte dos ganhos recentes. Além disso, o primeiro trimestre ainda mostrou força, com o consumo das famílias crescendo 1,0%, segundo o PIB, indicando que a desaceleração pode ser mais técnica do que estrutural.
Como juros altos e inflação influenciam o varejo brasileiro?
O cenário macroeconômico segue sendo um dos principais fatores de pressão sobre o consumo das famílias. A taxa Selic elevada reduz o crédito e encarece o consumo parcelado.
Atualmente, a Selic está em 14,5%, em um ambiente de política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação. Esse contexto se soma a outros fatores que afetam o poder de compra, como:
- Crédito mais caro para famílias e empresas
- Inflação pressionada por choques externos
- Menor estímulo ao consumo de bens duráveis
O que pode acontecer com o varejo nos próximos meses?
A tendência do varejo dependerá do equilíbrio entre juros, renda e confiança do consumidor. O comportamento do crédito será um fator decisivo para os próximos resultados.
Com o Banco Central anunciando novas decisões sobre a Selic, o mercado acompanha se haverá manutenção ou mudanças na política monetária. Isso pode influenciar diretamente o ritmo do consumo no segundo semestre.