Pilotos da aviação comercial brasileira têm evitado comunicar episódios de fadiga às companhias aéreas por receio de punições e prejuízos financeiros, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA).
De acordo com o presidente da entidade, Tiago Rosa, quando um piloto informa que está fatigado, as empresas acionam o protocolo de gerenciamento de fadiga, que prevê o afastamento do profissional por cerca de uma semana.
Após esse período, o piloto é encaminhado para avaliação com um psicólogo contratado pela própria companhia aérea. Segundo relatos recebidos pelo sindicato, esse procedimento pode prolongar o afastamento para até 20 dias, situação que parte da categoria interpreta como uma forma de punição indireta.
Segundo o SNA, esse cenário faz com que muitos profissionais optem por não reportar o cansaço, mesmo quando sentem que não estão em condições ideais para voar. Além da preocupação com o afastamento, pesa também a questão financeira, já que parte da remuneração dos pilotos depende das horas efetivamente voadas.
Na Gol e na Azul, por exemplo, há um salário fixo correspondente a até 54 horas mensais de voo, com pagamento adicional pelas horas excedentes. Já na Latam, o salário fixo é menor, mas a remuneração variável é paga desde a primeira hora voada.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o Brasil mantém elevados índices de segurança na aviação e destacou que as companhias cumprem rigorosamente as exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) relacionadas ao gerenciamento da fadiga.
“A Abear reafirma que segurança é um princípio inegociável para as empresas brasileiras”, declarou a entidade.
