Os partidos políticos brasileiros gastaram R$ 111,13 milhões com voos de jatinho entre 2022 e 2025, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pela jornalista Andreza Matais. O valor foi desembolsado por legendas que são financiadas majoritariamente com recursos públicos, por meio dos fundos partidário e eleitoral.
No período, as siglas registraram R$ 253,5 milhões em despesas na categoria “transportes e viagens”. Além dos gastos com aeronaves privadas, os partidos também desembolsaram R$ 53,5 milhões na compra de passagens aéreas para voos comerciais.
A revelação ocorre após a divulgação de que PSDB e PSD teriam gasto cerca de R$ 1,1 milhão em voos fretados de uma empresa ligada à traficante Karine Campos, conhecida como “rainha do pó”.
Apesar dos valores expressivos destinados a deslocamentos, as despesas com viagens representam apenas uma parcela dos gastos totais das legendas. A principal rubrica registrada nas prestações de contas foi a de “serviços técnico-profissionais”, que consumiu aproximadamente R$ 2 bilhões nos últimos quatro anos. Nessa categoria estão incluídos, por exemplo, contratos com advogados e consultorias especializadas.
De acordo com os dados enviados ao TSE, os partidos declararam a utilização de R$ 6,4 bilhões entre 2022 e 2025. O montante, no entanto, ainda pode sofrer alterações, já que parte das prestações de contas referentes ao período ainda não foi apresentada à Justiça Eleitoral.
Os números reforçam o debate sobre a utilização dos recursos públicos destinados ao funcionamento das legendas e à atividade política no país, especialmente em relação aos gastos com transporte de dirigentes partidários.
