As ondas de calor estão deixando de ser apenas um problema climático e já afetam diretamente o bolso das famílias europeias. Um estudo recente mostra que eventos extremos podem reduzir significativamente a renda em diversas regiões do continente.
Quanto as ondas de calor já pesam no orçamento das famílias?
Pesquisa da Climate Analytics revela que, entre 2004 e 2022, moradores da região de Madri perderam até 10% da renda familiar devido aos efeitos combinados de ondas de calor e secas prolongadas.
Na média europeia, uma onda de calor reduz a renda das famílias em 0,7%, enquanto uma seca representa perda de 1,8%. Quando os dois eventos ocorrem juntos, o impacto pode chegar a 3%, especialmente no sul da Europa.
Por que o calor extremo gera prejuízos econômicos?
Os efeitos das temperaturas elevadas vão muito além do desconforto. A combinação entre calor intenso e falta de chuva afeta diversos setores da economia e aumenta os gastos das famílias. Entre as principais consequências identificadas pelos pesquisadores estão:
- Queda da produtividade no trabalho;
- Piora das condições de saúde da população;
- Redução da produção agrícola;
- Problemas em serviços ligados ao abastecimento de água, transporte e geração de energia;
- Aumento da vulnerabilidade das famílias de menor renda.
Como a Europa enfrenta recordes de temperatura neste verão?
A nova onda de calor que atinge a Europa já estabelece recordes históricos em diversos países. Na França, a terça-feira registrou a maior temperatura desde o início das medições, iniciadas em 1947.
Na Espanha, junho apresentou a maior temperatura média desde pelo menos 1950. Já o Reino Unido superou marcas históricas de calor para o mês, enquanto milhões de pessoas convivem com temperaturas superiores a 35°C em várias regiões do continente.
Mudança climática pode ampliar ainda mais as perdas
Os pesquisadores alertam que o cenário pode piorar caso as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global continuem elevadas. O continente europeu é atualmente o que mais aquece no planeta.
Caso o aumento da temperatura global seja limitado a 1,5°C, a redução média da renda familiar poderá ficar em torno de 7% até o fim do século. Porém, mantendo o ritmo atual das emissões, a perda média pode alcançar 27%, segundo as projeções do estudo.
Quais regiões sofrem os maiores impactos atualmente?
Durante o período analisado, a região de Madri foi a mais afetada, seguida pelo centro da Hungria e pela região central da Espanha, todas fortemente atingidas por secas e ondas de calor sucessivas.
Especialistas defendem que governos acelerem medidas de adaptação, como infraestrutura urbana preparada para altas temperaturas, proteção à população vulnerável e estratégias para reduzir os efeitos dos eventos climáticos extremos, que tendem a se tornar cada vez mais frequentes nas próximas décadas.