Motoristas que trafegam pela BR-101, no Espírito Santo, passaram a ser monitorados por uma tecnologia capaz de calcular a velocidade média ao longo de um trecho da rodovia, trazendo uma nova forma de acompanhamento do comportamento dos condutores.
O que muda com os radares de velocidade média?
O sistema está em operação entre os quilômetros 102 e 125 da BR-101, na região da Reserva Biológica de Sooretama. A tecnologia utiliza informações coletadas por radares já existentes para monitorar o deslocamento dos veículos.
Diferentemente dos equipamentos tradicionais, que registram apenas a velocidade no momento da passagem, o novo método avalia o desempenho do motorista durante todo o percurso entre dois pontos monitorados.
Como a velocidade média é calculada?
O software registra o horário em que o veículo passa pelo primeiro radar e compara esse dado com o momento em que ele é identificado em outro equipamento instalado adiante na rodovia.
Com base na distância entre os pontos de controle e no tempo gasto para percorrer o trajeto, o sistema calcula automaticamente a velocidade média desenvolvida pelo condutor.
Os radares da BR-101 são novos?
Apesar da novidade, a concessionária Ecovias Capixaba esclarece que não houve instalação de novos equipamentos. A mudança ocorreu por meio da atualização tecnológica de cinco radares já existentes.
Esses dispositivos receberam um software capaz de cruzar informações coletadas em diferentes pontos da rodovia, ampliando a capacidade de monitoramento sem alterar a estrutura física dos radares.
Por que a tecnologia combate o efeito canguru?
Um dos principais objetivos é identificar motoristas que reduzem a velocidade apenas ao se aproximar dos radares e aceleram novamente logo depois, prática conhecida como efeito canguru. Entre os benefícios do sistema estão:
- Identificar excessos de velocidade ao longo de todo o trecho.
- Monitorar o comportamento real dos condutores.
- Reforçar ações de conscientização no trânsito.
- Aumentar a segurança em áreas com histórico de acidentes.
- Contribuir para a proteção da fauna silvestre da região.
Os motoristas podem receber multas?
Atualmente, os dados gerados pelo sistema não resultam em autuações. A legislação brasileira ainda não possui regulamentação específica para aplicação de multas com base na velocidade média.
Mesmo sem caráter punitivo, a ferramenta já foi utilizada em ações educativas realizadas em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que abordou motoristas para orientar sobre os riscos do excesso de velocidade.
Por que a Reserva de Sooretama foi escolhida?
O trecho monitorado integra o Programa de Redução de Acidentes da concessionária e registra histórico de ocorrências consideradas graves. Por isso, a área foi selecionada para receber a tecnologia.
Além disso, a Reserva de Sooretama possui intensa circulação de animais silvestres próximos à rodovia. O controle da velocidade é visto como uma medida importante para reduzir acidentes e aumentar a segurança de motoristas e da fauna local.