O presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua Júnior, fez críticas à proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e afirmou que alterações nas relações trabalhistas devem ocorrer por meio de negociações entre empregadores e empregados, e não por imposição do Estado.
Em entrevista, o dirigente classificou a proposta como um exemplo de “populismo explícito” e disse que mudanças desse porte precisam considerar as particularidades de cada setor da economia.
Críticas ao fim da escala 6×1
Segundo Dall’Acqua, uma regra única para todos os segmentos poderia gerar impactos negativos sobre empresas e trabalhadores. Ele citou como exemplo o setor da saúde, onde a escala 12×36 é amplamente utilizada, e afirmou que modelos consolidados poderiam ser comprometidos por uma mudança generalizada.
Para o presidente da entidade, reduzir a jornada sem considerar os custos da operação obrigaria muitas empresas a contratar mais funcionários, elevar despesas e, em alguns casos, reduzir a renda dos próprios trabalhadores, como ocorre em restaurantes onde as gorjetas são divididas entre a equipe.
Ele também argumentou que as conquistas trabalhistas devem ser resultado de negociações coletivas e do aumento da produtividade, permitindo que empregadores e empregados construam soluções adequadas para cada atividade.
Legislação trabalhista e mercado de trabalho
Durante a entrevista, Dall’Acqua criticou dispositivos da legislação trabalhista brasileira, afirmando que o país remunera “mais o tempo livre do que o tempo trabalhado”. Segundo ele, existem diversos benefícios previstos em lei que aumentam os custos para as empresas e dificultam a geração de empregos.
O dirigente também atribuiu parte da elevada informalidade aos programas de transferência de renda e defendeu políticas públicas voltadas à inserção dos beneficiários no mercado formal de trabalho.
Declaração sobre Bolsa Família gera repercussão
Ao comentar os programas sociais, Dall’Acqua afirmou inicialmente que seria “uma condição interessante” restringir o direito ao voto de beneficiários do Bolsa Família, alegando, de forma equivocada, que esse modelo existiria em alguns países desenvolvidos.
Dias depois, o presidente da FecomercioSP enviou uma retificação reconhecendo o erro.
Retificação e defesa do direito ao voto
Na correção, Dall’Acqua afirmou que todos os cidadãos devem manter o direito ao voto em uma democracia e reconheceu que sua declaração anterior foi equivocada.
Ele explicou que sua defesa é pela criação de mecanismos que condicionem a permanência em programas sociais à comprovação da necessidade e ao incentivo à busca por emprego formal, destacando que considera os programas de assistência importantes enquanto o país não superar as desigualdades sociais.