O motorista Sidney Santos, conhecido como “Kiko”, afirmou que pretende manter distância dos investigados no esquema apurado pela Polícia Federal envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e parlamentares. Em conversa com a imprensa, ele declarou: “Eu quero é distância desse povo, tá bom?”, antes de encerrar a ligação.
Segundo as investigações da PF, Sidney atuava como responsável por transportar documentos e encomendas ligados a interesses do grupo empresarial de Vorcaro. Entre os materiais entregues estariam projetos de lei da área ambiental destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
De acordo com a Polícia Federal, os documentos tratavam de propostas de interesse de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ambos foram presos durante a operação.
A investigação aponta que Ciro Nogueira é suspeito de ter recebido vantagens indevidas para defender interesses do grupo no Congresso Nacional por meio da tramitação de projetos considerados estratégicos para os empresários. O senador nega irregularidades.
Mensagens revelaram atuação do motorista
A participação de Sidney foi identificada após a análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Fotografias enviadas pelo motorista permitiram aos investigadores identificar o conteúdo dos envelopes transportados, além de reconstruir o trajeto das entregas.
Segundo a PF, em 22 de novembro de 2023, Vorcaro encaminhou ao motorista o endereço da residência de Ciro Nogueira, no Lago Sul, em Brasília.
No dia seguinte, Sidney teria buscado um documento na casa do senador e enviado uma fotografia do material ao banqueiro, identificado pelos investigadores como um projeto de lei ambiental.
Já em 27 de novembro, o motorista retornou ao mesmo endereço, recolheu dois envelopes e os levou até o Anexo I do Senado Federal, onde o material foi entregue a um assessor do parlamentar. Após a entrega, ele informou a Vorcaro que a missão havia sido concluída.
Projetos foram aprovados pelo Congresso
Os documentos citados pela investigação referem-se ao projeto que criou o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) e à proposta que regulamenta o mercado de crédito de carbono.
Ambas as matérias foram aprovadas pelo Congresso Nacional. O projeto do Paten foi sancionado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a proposta sobre crédito de carbono sofreu vetos presidenciais, dos quais parte acabou derrubada posteriormente pelo Congresso.
A investigação também cita a atuação de parlamentares durante a votação dos vetos, entre eles o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), e o senador Ciro Nogueira.
Até o momento, Sidney Santos não é investigado formalmente nem foi alvo das operações deflagradas pela Polícia Federal.