A JBS vai suspender, a partir deste sábado (20), a produção de cortes bovinos destinados ao mercado chinês em 18 das 34 plantas brasileiras habilitadas para exportação ao país asiático.
A decisão ocorre em meio a preocupações do setor com o ritmo das importações da China e o avanço do uso da cota anual de exportação. Atualmente, a carne bovina brasileira paga uma tarifa de 12% para entrar no mercado chinês dentro do limite estabelecido. Caso a cota seja ultrapassada, incide uma sobretaxa adicional de 55%, o que eleva a carga tributária total para 67%.
Em 2026, a cota destinada ao Brasil é de 1,1 milhão de toneladas. Segundo dados oficiais da China, mais da metade desse volume já havia sido utilizada até o início de maio. Apenas no mês de maio, o Brasil embarcou cerca de 154 mil toneladas de carne bovina para o país asiático.
De acordo com analistas do setor, a decisão da JBS reflete um movimento mais amplo entre frigoríficos exportadores que buscam se adaptar a um cenário de incerteza em relação às cotas de importação e ao risco de aumento de tarifas. A estratégia inclui a redução temporária da produção voltada especificamente ao mercado chinês.
Especialistas apontam que o ajuste nas operações pode impactar o ritmo de abates no país e pressionar o mercado interno. Com menor necessidade de produção voltada à exportação, frigoríficos tendem a reduzir a compra de gado, o que pode enfraquecer a demanda pela matéria-prima e influenciar o preço da arroba.
Até o momento, não há informações sobre medidas mais drásticas, como férias coletivas nas unidades de produção. No entanto, o setor segue monitorando a evolução do cenário comercial com a China e seus possíveis impactos na cadeia produtiva da carne bovina brasileira.
A avaliação de analistas é de que o movimento representa uma tentativa de adaptação a um ambiente de maior volatilidade nas exportações, com efeitos diretos sobre a indústria frigorífica e o mercado pecuário nacional.
