Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, afirmou possuir informações capazes de comprometer seriamente a família do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Como Joana Mourão ameaçou divulgar informações sensíveis?
Em conversas analisadas pela PF, Joana demonstrou revolta com a situação financeira da família após a morte do irmão. Em um grupo de WhatsApp que incluía o bicheiro Manoel Rodrigues, o Manolo, ela afirmou que poderia expor fatos comprometedores envolvendo integrantes da família Vorcaro. Os documentos tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (16/6).
A irmã de Sicário escreveu que tinha material suficiente para “acabar com a família inteira” e chegou a mencionar que poderia tornar públicas informações relacionadas ao filho e ao cunhado de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. As informações são da CNN.
Como foram as acusações?
Nas mensagens, Joana afirmou que ela e sua mãe teriam sido alvo de ameaças de morte. Segundo seu relato, ambas receberam vídeos mostrando fuzis acompanhados de mensagens indicando que seriam assassinadas.
Ela também alegou que passou por um período de extrema fragilidade emocional e física. De acordo com os relatos, a pressão sofrida teria provocado perda significativa de peso, além de dificuldades para dormir e se alimentar.
O que a PF identificou nas conversas interceptadas?
A investigação aponta que o temor de uma possível divulgação das informações gerou preocupação entre os alvos monitorados pela PF. Integrantes do grupo teriam considerado Joana uma pessoa imprevisível e capaz de comprometer todo o esquema investigado.
Segundo os investigadores, houve movimentações para tentar conter a crise. Conversas interceptadas indicam tratativas para transferir ativos e direcionar recursos financeiros à mãe e à irmã de Sicário, numa tentativa de evitar novos problemas para os investigados.
Transferências de recursos estão sob investigação
Documentos reunidos pela PF mostram que Manolo teria atuado diretamente nas negociações. Em mensagens encaminhadas a Henrique Vorcaro, ele relatou reuniões com familiares de Sicário para discutir a transferência de contratos e ativos.
Os investigadores suspeitam que essas operações possam ter objetivos que vão além da assistência financeira. Entre as hipóteses analisadas estão possíveis tentativas de silenciar testemunhas e a eventual prática de lavagem de dinheiro.
Estrutura de segurança chamou atenção dos investigadores
A apuração também descreve uma estrutura de segurança considerada altamente agressiva. Interceptações revelam relatos sobre veículos blindados, armamentos de alto poder e equipes especializadas atuando em favor do grupo. Entre os pontos destacados pela investigação estão:
- Presença de armamento pesado em encontros privados;
- Referências ao uso de atiradores de elite para proteção;
- Relatos de intimidação contra visitantes e interlocutores;
- Comentários hostis direcionados a policiais militares;
- Estrutura comparada por participantes à “Rússia do Putin”.
Quais os próximos passos na investigação da PF?
Outro ponto considerado relevante pela investigação envolve supostas ameaças contra ex-funcionários ligados ao grupo em Angra dos Reis. Para a PF, os episódios indicam uma atuação sistemática para intimidar pessoas consideradas inconvenientes aos interesses dos investigados.
Além disso, a apreensão de documentos internos da própria Polícia Federal na residência de Henrique Vorcaro levantou suspeitas sobre a existência de possíveis informantes. O material reforçou a linha de investigação que busca identificar como informações sigilosas poderiam estar chegando ao grupo monitorado.