Mensagens que estão em posse da Polícia Federal e foram obtidas com exclusividade pela coluna Tácio Lorran apontam que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria orientado a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar do empresário Cleber Ribas, dono da empresa 3Structure It Ltda.
Ribas é investigado pela Polícia Federal no mesmo inquérito que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a reportagem, a empresa de Ribas recebeu mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, especialmente durante o governo Lula.
Mensagens citam emissão de nota fiscal
As conversas ocorreram em 24 de julho de 2023. Nas mensagens, Lulinha pede que Roberta Luchsinger convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para participar de uma reunião na Praia do Forte, na Bahia.
Durante a conversa, a lobista afirma que já havia falado com diferentes autoridades e integrantes da estrutura política e administrativa.
Em seguida, Lulinha orienta Roberta a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas.
“Emite a NF pro Cleber”, escreveu Lulinha, segundo a reportagem.
“Já fiz”, respondeu Roberta.
“Boaaaaa”, teria respondido o filho do presidente.
Lobista recebeu pelo menos R$ 150 mil
De acordo com as informações reveladas pela coluna, Cleber Ribas teria pago pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger por serviços descritos como “prospecção de clientes”.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer as relações entre os envolvidos e eventuais práticas de corrupção e tráfico de influência.
As mensagens, segundo a reportagem, também indicariam que a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger ultrapassaria uma relação de amizade. Os diálogos apontariam que ele tinha conhecimento da atuação profissional da lobista e participava de articulações e reuniões relacionadas aos interesses dela.
Defesas contestam divulgação das mensagens
A defesa de Lulinha afirmou que não irá comentar ou validar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original”.
Os advogados também questionaram a origem e a integridade das informações e afirmaram que a divulgação de trechos selecionados poderia contribuir para a construção de interpretações distorcidas dos fatos.
A defesa de Cleber Ribas não se manifestou sobre as acusações.
Já o advogado Roberto Podval, que passou a representar Roberta Luchsinger, informou que não comentaria o caso em razão do sigilo do inquérito.
As mensagens fazem parte de uma investigação ainda em andamento. Portanto, o conteúdo dos diálogos e as relações financeiras mencionadas precisam ser analisados no contexto completo do inquérito, e eventuais responsabilidades ainda dependem da apuração das autoridades e das decisões da Justiça.
