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Funcionário recebe vacina de porco por engano, fica estéril e Justiça reduz indenização de R$ 1,5 milhão para R$ 80 mil

Por Guilherme Silva
08/jun/2026
Em Geral
Funcionário recebe vacina de porco por engano, fica estéril e Justiça reduz indenização de R$ 1,5 milhão para R$ 80 mil

Funcionário recebe vacina de porco por engano, fica estéril e Justiça reduz indenização de R$ 1,5 milhão para R$ 80 mil

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Um caso trágico envolvendo um trabalhador terceirizado no Rio Grande do Sul culminou em uma decisão controversa do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Após receber acidentalmente uma dose da vacina veterinária Vivax, destinada a suínos, o profissional sofreu danos irreversíveis à sua saúde, resultando em uma longa batalha judicial por reparação.

O que aconteceu durante a aplicação acidental da vacina?

O acidente ocorreu em 2012, quando o funcionário foi inoculado com um imunizante utilizado para controle de doenças em suínos. Por conter substâncias com forte ação endócrina, a introdução desse composto em um organismo humano provocou efeitos severos, incluindo a ginecomastia e a esterilidade permanente do colaborador, conforme atestado em perícias médicas.

O trabalhador também alegou ter sido negligenciado pela empresa contratante, que não prestou socorro imediato após a exposição à vacina de uso exclusivo animal. Protocolos de segurança definidos pelo Ministério da Agricultura alertam constantemente sobre o risco dessa manipulação, sendo este um dos acidentes de trabalho mais graves registrados na agroindústria.

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Justiça reduz indenização após funcionário receber vacina de porco por engano e ficar estéril

Como ocorreu o processo de fixação da indenização?

A trajetória do processo judicial reflete a divergência de interpretações sobre o valor do dano moral em casos de lesões definitivas. O valor da causa sofreu oscilações drásticas entre as instâncias, iniciando em R$ 500 mil e chegando a R$ 1,5 milhão antes da decisão final do tribunal superior.

Confira na tabela abaixo a cronologia das decisões judiciais sobre o caso:

Por que a 8ª Turma do TST reduziu o valor para R$ 80 mil?

Em setembro de 2024, a 8ª Turma do TST decidiu pela redução de 95% do montante, justificando a decisão sob o princípio da proporcionalidade. A turma entendeu que o valor fixado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região estava fora dos parâmetros habituais para reparação de danos corporais, mesmo diante da gravidade da sequela.

Juristas apontam que essa redução drástica gera debates intensos sobre a eficácia da reparação em casos de danos irreversíveis. Para o trabalhador, a esterilidade e as deformações físicas representam uma perda permanente da capacidade reprodutiva, o que torna a discussão sobre o valor justo um tema de grande relevância no Direito do Trabalho.

Quais cuidados devem ser tomados na manipulação de produtos veterinários?

O manuseio de imunizantes de uso veterinário exige treinamento rigoroso e equipamentos de proteção individual (EPIs). O próprio fabricante da vacina indica que o produto possui riscos biológicos severos caso entre em contato com tecidos humanos, reforçando a necessidade de protocolos rígidos de contenção de acidentes.

O processo segue em análise, e o desenrolar jurídico serve como alerta para empresas que operam com insumos perigosos. A preservação da integridade física e reprodutiva dos colaboradores é um dever inalienável, e falhas nos procedimentos de aplicação podem levar a consequências catastróficas que, como visto, geram disputas judiciais complexas e de longo prazo.

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