Um estudo da Fiocruz revelou a presença de resíduos de cocaína e outras substâncias químicas em tubarões e raias capturados na costa do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A descoberta acende um alerta sobre a contaminação crescente dos ecossistemas marinhos. A pesquisa foi publicada na revista científica da plataforma ScienceDirect.
Como o estudo identificou contaminantes em animais marinhos?
Os pesquisadores analisaram amostras de fígado, cérebro e músculos de elasmobrânquios, grupo que inclui tubarões e raias. As coletas foram realizadas entre 2021 e 2023 com animais doados por pescadores artesanais da região.
O trabalho contou com colaboração de instituições como a UFRJ e cientistas internacionais, avaliando a presença de compostos químicos acumulados nos organismos marinhos ao longo do tempo.
Quais substâncias foram encontradas além da cocaína?
Além da cocaína, o estudo identificou a presença de outros Contaminantes de Preocupação Emergente (CECs), substâncias que não são totalmente monitoradas e podem afetar ecossistemas e saúde humana.
Antes de listar os compostos encontrados, os pesquisadores destacaram que alguns animais apresentaram mistura de diferentes drogas e produtos químicos, indicando exposição contínua ao ambiente contaminado:
- Benzoilecgonina (metabólito da cocaína)
- Diclofenaco (anti-inflamatório)
- Sulfametoxazol (antibiótico)
- Fipronil (pesticida)
- Piroxicam (anti-inflamatório)
O que explica a contaminação na costa do Recreio dos Bandeirantes?
Segundo o estudo, a presença de cocaína e seu metabólito sugere uma exposição recente ligada ao despejo de esgoto. Em alguns casos, os níveis da droga foram até superiores aos de seus subprodutos.
Os pesquisadores associam o problema à urbanização acelerada do Recreio dos Bandeirantes e à possível influência de efluentes tratados e não tratados lançados na região costeira.
Quais são os riscos ambientais e para a biodiversidade marinha?
Os cientistas alertam que os CECs representam uma preocupação crescente por sua presença mesmo em baixas concentrações. Eles podem afetar organismos marinhos e, potencialmente, entrar na cadeia alimentar. Entre os principais pontos de atenção destacados no estudo estão impactos ecológicos já existentes na região:
- Degradação do habitat marinho
- Urbanização costeira intensa
- Captura acidental de espécies ameaçadas
- Exposição contínua a contaminantes químicos
O que dizem os pesquisadores sobre os resultados do estudo?
Os autores destacam que, embora as concentrações encontradas sejam pequenas, a simples presença dessas substâncias já é motivo de preocupação ambiental. Isso porque são compostos de origem humana que não deveriam estar presentes nesses organismos.
O estudo também ressalta que os resultados devem ser interpretados com cautela devido ao número limitado de amostras analisadas, mas ainda assim indicam um cenário preocupante para a costa do Rio de Janeiro.