O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (11) novas sanções contra Cuba, desta vez direcionadas à Unión Cuba-Petróleo (CUPET), principal empresa estatal responsável pelo setor petrolífero da ilha. A medida foi divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e representa mais um capítulo no endurecimento da política de Washington em relação ao governo cubano.
Em comunicado oficial, Rubio afirmou que a decisão foi motivada pela expropriação de ativos pertencentes a empresas norte-americanas após a Revolução Cubana. Segundo o governo dos Estados Unidos, a nacionalização do setor petrolífero promovida pelo regime de Fidel Castro, no início da década de 1960, afetou propriedades de investidores americanos sem compensação considerada adequada por Washington.
Além da questão histórica, o secretário de Estado acusou o governo cubano de utilizar a CUPET como instrumento de controle político e de beneficiar integrantes da cúpula do regime socialista.
Segundo Rubio, enquanto a população enfrenta dificuldades relacionadas ao abastecimento de combustíveis e frequentes apagões, recursos energéticos estariam sendo direcionados para estruturas militares, de inteligência e de segurança do Estado. O secretário também alegou que parte da energia disponível seria utilizada como mecanismo de controle social.
Crise energética em Cuba
As novas sanções chegam em meio a uma prolongada crise energética enfrentada por Cuba. Nos últimos anos, a ilha tem registrado interrupções frequentes no fornecimento de energia elétrica, além de dificuldades para importar combustíveis suficientes para atender à demanda interna.
Os apagões têm afetado residências, comércios e setores produtivos, tornando-se uma das principais preocupações da população cubana.
Havana responsabiliza embargo
O governo cubano atribui boa parte da crise ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde a década de 1960. Segundo as autoridades da ilha, as restrições dificultam o acesso a financiamento internacional, equipamentos e combustíveis necessários para modernizar a infraestrutura energética do país.
Havana também afirma que medidas recentes adotadas por Washington, incluindo ações que limitaram o envio de petróleo venezuelano para Cuba, agravaram ainda mais os problemas de abastecimento.
Relação cada vez mais tensa
Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e conhecido por suas críticas ao governo da ilha, tem sido uma das vozes mais duras da política externa norte-americana em relação a Havana.
As novas sanções reforçam o clima de tensão entre os dois países em um momento marcado por divergências políticas, dificuldades econômicas e disputas diplomáticas que se estendem há décadas.
Com a inclusão da CUPET entre os alvos das restrições, especialistas avaliam que a pressão sobre o setor energético cubano poderá aumentar, trazendo novos desafios para a economia da ilha e para a população que já enfrenta problemas recorrentes de abastecimento e fornecimento de energia.