A demissão após as férias é permitida pela legislação trabalhista e não existe uma estabilidade automática para o trabalhador após o retorno do descanso. Embora a empresa não possa dispensar o funcionário durante as férias, a rescisão sem justa causa pode ocorrer normalmente após a volta ao trabalho, desde que os direitos sejam pagos corretamente. .
Quais garantias podem proteger o trabalhador após o retorno?
Embora a lei federal seja omissa sobre estabilidade pós-férias, é fundamental verificar o que estabelece a convenção ou o acordo coletivo da categoria. Segundo o Sindicato das Farmácias do Estado de São Paulo, muitos instrumentos coletivos preveem proteções que variam de 30 a 60 dias após o retorno.
Além das regras específicas de cada sindicato, o colaborador pode estar protegido por leis que garantem estabilidade provisória independentemente do período de férias. Confira na tabela abaixo as principais situações de proteção previstas no ordenamento jurídico brasileiro:
Como a estabilidade da gestante funciona em relação às férias?
A proteção da gestante é um dos direitos mais robustos na legislação trabalhista. Conforme a Constituição Federal, a estabilidade inicia-se na data da concepção, mesmo que a empresa desconheça a gravidez no momento da dispensa.
Se a trabalhadora retornar das férias grávida, a demissão sem justa causa é nula. A empresa deve proceder com a reintegração da funcionária ao seu posto de trabalho ou realizar o pagamento de uma indenização substitutiva, caso a reintegração não seja possível devido a conflitos na relação contratual.

O que caracteriza o acidente de trabalho para fins de estabilidade?
O direito à estabilidade de 12 meses aplica-se exclusivamente aos segurados que sofreram acidentes ou doenças ocupacionais com o recebimento do benefício B-91 pelo INSS. O afastamento por problemas de saúde comuns, classificados sob o código B-31, não confere estabilidade automática, a menos que a convenção da categoria estipule o contrário.
O prazo de proteção conta-se a partir da data de retorno do afastamento. Portanto, se o colaborador usufruir de férias logo após a alta médica previdenciária, ele ainda estará sob a proteção da lei, tornando qualquer tentativa de dispensa sem justa causa um ato ilegal perante a Justiça do Trabalho.
Quais são as consequências de uma demissão irregular?
Quando ocorre a dispensa de um profissional protegido por estabilidade provisória, o ato é considerado nulo. O trabalhador possui o prazo de 2 anos para ingressar com uma reclamação trabalhista, buscando a reparação integral dos danos causados pela quebra da garantia legal.
Em caso de sucesso na ação, o empregador pode ser obrigado a realizar a reintegração com o pagamento de todos os salários e benefícios devidos durante o período em que o funcionário ficou afastado. Se preferir não retornar ou se o prazo de estabilidade já tiver expirado, o tribunal pode converter a reintegração em uma indenização substitutiva equivalente a todo o período de estabilidade violado.