As negociações para um acordo de delação premiada no âmbito das investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) avançaram nas últimas semanas. As tratativas passaram a ser conduzidas em conjunto pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O principal alvo das negociações é o empresário Maurício Camisotti, apontado pelos investigadores como um dos operadores do esquema de descontos associativos irregulares aplicados em benefícios previdenciários. Segundo a investigação, ele já havia firmado um acordo de colaboração com a Polícia Federal em abril, mas as conversas foram retomadas para incluir formalmente a participação da PGR, buscando dar maior segurança jurídica ao processo.
De acordo com os autos, Camisotti admitiu a existência de um esquema voltado à fraude de autorizações de aposentados e pensionistas para a realização de descontos em seus benefícios. A expectativa dos investigadores é que sua colaboração ajude a identificar novos envolvidos, esclarecer o funcionamento da organização criminosa e rastrear o destino dos recursos obtidos de forma ilegal.
A atuação conjunta da PF e da PGR busca evitar futuros questionamentos judiciais sobre a validade da delação. Em investigações anteriores, a Procuradoria sustentou que acordos firmados apenas com a Polícia Federal poderiam ser contestados na Justiça.
A investigação apura descontos não autorizados realizados por meio de associações e entidades conveniadas ao INSS. Segundo estimativas da Polícia Federal, o prejuízo causado pelo esquema pode chegar a cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Caso a delação seja homologada pela Justiça, a expectativa é que novas provas sejam apresentadas, permitindo identificar outros beneficiários do esquema e aprofundar as investigações sobre uma das maiores fraudes já descobertas no sistema previdenciário brasileiro.