O entorno jurídico de Daniel Vorcaro segue em movimento para tentar reabrir negociações de um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Apesar das tentativas recentes, as conversas têm sido sistematicamente rejeitadas.
Os advogados de Daniel Vorcaro ainda tentam retomar um acordo?
Os representantes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, continuam buscando reabrir a possibilidade de um acordo de colaboração com a PF e a PGR. A estratégia, no entanto, não tem encontrado abertura entre os investigadores.
Segundo interlocutores das duas partes, tanto da defesa quanto dos órgãos de investigação, todas as tentativas recentes foram frustradas. A avaliação predominante é de que não há, até o momento, confiança suficiente para retomar o diálogo.
Como foram as novas tentativas de negociação feitas pela defesa no STF?
O movimento mais recente foi conduzido pelo advogado Sérgio Leonardo, que abordou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no salão branco do Supremo Tribunal Federal (STF). No local, ele indicou que Vorcaro estaria disposto a apresentar uma nova proposta.
Leonardo afirmou que o cliente poderia colaborar com informações relevantes para PF e PGR, mas a resposta de Gonet foi imediata e negativa. O procurador-geral rejeitou a reaproximação sem abrir espaço para continuidade da conversa.
Por que PF e PGR rejeitam as propostas de delação de Daniel Vorcaro?
Tanto a Polícia Federal quanto a PGR avaliam com desconfiança as iniciativas de colaboração apresentadas por Vorcaro. Para os investigadores, não há sinais de que o ex-banqueiro esteja disposto a uma confissão completa e consistente.
Em 15 do mês passado, a PGR rejeitou a segunda proposta apresentada, alegando falta de informações relevantes e omissões de fatos já conhecidos pela investigação. A PF já havia tomado decisão semelhante dias antes. Antes da recusa definitiva, o caso passou por uma sequência de avaliações internas que reforçaram a perda de confiança:
- Ausência de novas informações relevantes para o caso
- Possíveis omissões de fatos já apurados pela PF
- Falta de consistência na narrativa apresentada
- Desconfiança sobre a real intenção de colaboração
O que mudou após o fim das negociações e a transferência para a Papudinha?
Com o encerramento das tratativas, Daniel Vorcaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha”.
A medida foi adotada após o colapso das negociações e integra o andamento da investigação ligada à Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude e corrupção.
Como funciona a situação de custódia?
Na unidade, Vorcaro pode dividir espaço temporariamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, também custodiado no local. A permanência conjunta ocorre por decisão de isolamento sanitário.
A medida foi recomendada pela Vara de Execuções Penais para reduzir riscos de transmissão de doenças após a transferência entre unidades. Entre os procedimentos definidos, está a manutenção de condições específicas de custódia, que incluem restrições de contato e monitoramento:
- Isolamento sanitário inicial de aproximadamente 10 dias
- Avaliação de possível realocação posterior de cela
- Possibilidade de retorno ou transferência de Jair Bolsonaro para o batalhão
- Controle rigoroso de incomunicabilidade entre detentos da operação
Quem mais está preso na Operação Compliance Zero?
Além de Vorcaro, também está detido na Papudinha o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, igualmente investigado no mesmo conjunto de crimes. As investigações da Operação Compliance Zero seguem em andamento e podem resultar em novas fases, dependendo do avanço das análises de documentos e depoimentos.
O ministro do STF André Mendonça determinou que o presídio adote medidas rigorosas para garantir a separação entre os investigados. O objetivo é evitar qualquer tipo de comunicação entre os presos ligados ao caso.