A pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência da República enfrenta uma crescente resistência dentro do próprio Partido Novo, após declarações críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Como os diretórios estaduais se mobilizam contra Zema?
Lideranças do Novo em estados do Sul iniciaram uma articulação para retirar Zema da condição de pré-candidato ao Palácio do Planalto. O movimento começou com dirigentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Nos últimos dias, a iniciativa passou a receber apoio de integrantes do partido em Goiás e Mato Grosso do Sul, ampliando a pressão interna contra o ex-governador mineiro. As informações são de O Antagonista.
Por que as críticas a Flávio Bolsonaro causaram reação?
O desgaste ganhou força após Zema intensificar críticas ao senador Flávio Bolsonaro, que também é apontado como possível candidato à Presidência nas próximas eleições.
Em entrevista recente, o ex-governador afirmou ter ficado “indignado” com informações envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, defendendo cautela em relação a pessoas próximas de investigados.
Como as alianças regionais preocupam dirigentes do Novo?
Integrantes da legenda avaliam que o embate entre Zema e Flávio pode comprometer acordos eleitorais considerados estratégicos para 2026. O receio é que a disputa nacional afete campanhas estaduais já estruturadas. Entre as principais alianças que motivam a preocupação estão:
- Rio Grande do Sul: parceria entre o Novo e o PL na disputa pelo Senado com Marcel Van Hattem e Ubiratan Sanderson;
- Santa Catarina: participação de Adriano Silva como candidato a vice-governador na chapa liderada por Jorginho Mello;
- Paraná: composição envolvendo Sergio Moro para o governo estadual e Deltan Dallagnol na corrida ao Senado.
Zema já sofreu primeira consequência política
O clima de tensão dentro da legenda ficou evidente após o ex-governador ser retirado da programação de um encontro promovido pelo diretório do Novo em Santa Catarina, previsto para julho.
A decisão foi interpretada por integrantes do partido como um sinal de insatisfação de setores da legenda com a postura adotada por Zema em relação ao senador do PL.
Como a convenção de julho será decisiva para o futuro da candidatura?
Apesar da movimentação interna, a candidatura presidencial de Zema ainda não está oficialmente definida. A homologação dependerá da convenção nacional do partido, prevista para ocorrer no fim de julho.
O grupo contrário ao ex-governador trabalha para reunir votos suficientes e impedir sua confirmação como candidato, buscando preservar a relação política construída com o PL em diversos estados.
Eduardo Bolsonaro também elevou a pressão sobre o Novo
A crise ganhou um novo capítulo após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro defender publicamente o rompimento da aliança entre o PL e o Novo. A manifestação ocorreu logo após as declarações de Zema sobre Flávio Bolsonaro.
Mesmo diante das divergências, dirigentes das duas siglas afirmam que não existe, neste momento, uma perspectiva concreta de rompimento. Ainda assim, a disputa interna no Novo promete ganhar força nas próximas semanas e pode redefinir o papel de Zema na corrida presidencial.