Uma comissão de inquérito das Nações Unidas afirmou que Israel teria cometido genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Faixa de Gaza, durante a guerra em curso no território palestino.
Segundo o relatório divulgado nesta terça-feira (23), há indícios de que forças israelenses teriam “executado deliberadamente atos que infligiram morte e graves danos físicos e mentais a centenas de milhares de crianças palestinas”, no que o documento descreve como uma possível estratégia para enfraquecer o futuro da população palestina em Gaza.
A análise foi produzida pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que já havia indicado anteriormente possíveis sinais de genocídio no conflito.
Acusações incluídas no relatório
O documento amplia as acusações feitas em relatórios anteriores e afirma que o padrão das operações militares teria impacto “sem precedentes” sobre crianças palestinas, tanto em termos de mortes quanto de ferimentos físicos e psicológicos.
Entre as alegações, estão também:
- Ataques a maternidades e unidades neonatais
- Impactos na saúde reprodutiva da população
- Casos de violência sexual e tortura em prisões
- Deslocamento forçado de civis
- Colapso de serviços básicos em Gaza
O relatório também menciona que essas ações poderiam indicar intenção de destruir, total ou parcialmente, a população palestina na Faixa de Gaza — critério previsto no direito internacional para caracterização de genocídio.
Recomendações da comissão
A comissão da ONU recomenda a interrupção imediata das violações apontadas, a responsabilização de eventuais envolvidos e a criação de mecanismos internacionais de investigação.
Também defende o fim das hostilidades e da ocupação dos territórios palestinos.
Limitações e reação de Israel
A ONU e suas comissões de inquérito não possuem poder de punição direta, mas seus relatórios podem influenciar investigações internacionais e decisões de tribunais e organismos multilaterais.
O governo de Israel já rejeitou anteriormente acusações semelhantes feitas por relatórios da ONU, contestando as conclusões apresentadas.