A 60 km do Recife, uma antiga vila de pescadores guarda piscinas mornas que só aparecem na maré baixa. Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco, foi eleita por dez vezes consecutivas a melhor praia do Brasil pelos leitores da revista Viagem e Turismo e transformou o ritmo das marés em principal atração turística do estado.
De Porto Rico ao nome que a vila resolveu não esconder
Nos séculos XVI e XVII, a região era chamada de Porto Rico pela abundância de pau-brasil e pelos engenhos de açúcar de Ipojuca. O nome atual veio depois da Lei Feijó, de 7 de novembro de 1831, que declarou ilegal o tráfico transatlântico de africanos escravizados.
Os contrabandistas passaram a desembarcar fora do radar do Porto do Recife, escondendo pessoas sob engradados de galinhas-d’angola. A senha que anunciava o desembarque virou frase histórica: tem galinha nova no porto. Na década de 1990, o artista piauiense Gilberto Carcará chegou à vila e começou a esculpir galinhas coloridas em troncos de coqueiros mortos, esculturas que hoje viraram cartão-postal espalhado pelo centro.
Como funciona o passeio às piscinas naturais?
Os recifes de coral ficam a cerca de 200 metros da areia. Quando o mar recua, surgem piscinas rasas de fundo transparente, com peixes coloridos nadando a centímetros da superfície. A travessia é feita em jangadas a vela conduzidas por jangadeiros credenciados pela Prefeitura de Ipojuca, em trajeto de cerca de 10 minutos.
Consultar a tábua de marés é indispensável, porque o nível do mar decide se as piscinas vão estar à mostra naquele dia. A temperatura da água gira em torno de 27°C o ano inteiro, e o melhor horário costuma ser a maré baixa pela manhã, com sol alto e visibilidade máxima.
Quais praias completam o roteiro de Ipojuca?
O litoral do município entrega perfis bem diferentes em poucos quilômetros, do mar protegido por recifes ao surfe de campeonato. O passeio de buggy Ponta a Ponta cobre a maioria delas em um único dia.
- Praia da Vila: coração do destino e ponto de partida das jangadas até as piscinas naturais com formato do mapa do Brasil.
- Muro Alto: paredão de arrecifes forma piscina natural de cerca de 3 km, com águas rasas e calmas, ideal para famílias e stand-up paddle.
- Praia do Cupe: faixa extensa com trechos de ondas fortes e piscinas pontuais na maré baixa.
- Pontal de Maracaípe: encontro do Rio Maracaípe com o mar, famoso pelo pôr do sol e pelo passeio de jangada no manguezal.
- Praia de Maracaípe: ondas consistentes que recebem etapas do circuito brasileiro de surfe.
- Praia de Serrambi: areia clara e mar tranquilo, com piscinas naturais menos lotadas que as da vila central.
O que comer numa vila de pescadores que virou destino premiado?
A culinária pernambucana se mistura aos frutos do mar fresquíssimos. Quase tudo é servido em restaurantes da orla e em barracas pé na areia.
- Bobó de camarão: receita com mandioca cremosa, leite de coco e dendê, servida com arroz e farofa.
- Moqueca pernambucana: versão local mais leve que a capixaba, com peixe branco, coentro e azeite.
- Peixe na telha: pargo ou dourado assado em telha de barro, acompanhado de pirão de camarão.
- Casquinha de siri: petisco clássico das barracas, servido na própria carapaça do crustáceo.
- Caldinhos pernambucanos: de sururu, feijão ou camarão, vendidos em copinhos pela orla.
Quando ir e o que esperar do clima litorâneo?
O sol aparece o ano inteiro, mas as chuvas se concentram entre abril e julho e podem turvar o mar. A primavera é a janela mais disputada pela maior transparência da água.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Porto de Galinhas?
O Aeroporto Internacional do Recife Gilberto Freyre recebe voos de todas as capitais brasileiras e fica a cerca de 60 km da vila. O trajeto de carro leva aproximadamente uma hora pela BR-101 e depois pela PE-060. Transfers, vans e ônibus executivos partem diariamente do aeroporto e do Terminal Cais de Santa Rita, no Recife.
Atravesse de jangada e descubra por que esse pedaço de Pernambuco encanta
Porto de Galinhas entrega na mesma faixa de areia peixes coloridos, jangadas pintadas à mão e uma história que a vila decidiu não esconder. É o raro encontro entre beleza natural, infraestrutura madura e memória preservada em forma de arte.
Você precisa atravessar pelo menos uma vez até as piscinas naturais para entender por que esse pedaço do litoral pernambucano virou o destino de praia mais premiado do Brasil.