Os Estados Unidos ampliaram a pressão contra Cuba ao anunciar novas sanções contra integrantes do governo, militares e órgãos de inteligência da ilha. A medida aumenta a tensão política entre os dois países em meio à pior crise energética cubana em anos.
Quem são os alvos das novas sanções dos EUA?
O anúncio foi feito pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro norte-americano. Ao todo, nove autoridades cubanas foram incluídas na lista de restrições financeiras.
Entre os nomes atingidos pelas sanções estão ministros, chefes militares e integrantes do alto escalão político cubano. A medida impede relações econômicas com empresas e cidadãos dos EUA:
- Mayra Arevich Marin, ministra das Comunicações
- Vicente de la O Levy, ministro de Energia e Minas
- Rosabel Gamón Verde, ministra da Justiça
- Juan Esteban Lazo Hernández, presidente da Assembleia Nacional
- Joaquín Quintas Solá, vice-ministro das Forças Armadas
- José Miguel Gómez del Vallín, chefe da contraespionagem militar
Direção de Inteligência de Cuba também entrou na lista
Além das autoridades individuais, a Direção de Inteligência de Cuba foi adicionada às sanções americanas. O governo de Donald Trump acusa o aparato de segurança cubano de atuar contra interesses dos EUA.
Washington afirma que as punições fazem parte de uma estratégia para combater repressão política e ameaças à segurança nacional norte-americana. O governo cubano ainda não detalhou possíveis respostas oficiais.
Como a crise energética em Cuba aumenta tensão política?
As novas sanções surgem em meio a uma forte crise energética na ilha. Nos últimos meses, Cuba sofreu com apagões e escassez de combustível após restrições ao fornecimento de petróleo venezuelano.
A Rússia chegou a enviar um navio com cerca de 730 mil barris de petróleo para tentar aliviar a situação. Mesmo assim, as reservas já teriam sido consumidas, agravando os problemas econômicos internos.
Como o governo Trump endurece o discurso contra Cuba?
Desde o início do ano, Donald Trump vem adotando uma postura mais agressiva contra Havana. No começo de maio, os EUA já haviam sancionado a empresa estatal Gaesa, ligada às Forças Armadas cubanas.
O presidente norte-americano também ameaçou ampliar tarifas e punições contra países que mantenham fornecimento de combustível para a ilha. As declarações aumentaram o temor de um confronto diplomático ainda maior.
Possibilidade de ação militar preocupa autoridades cubanas
Nos últimos meses, Trump chegou a mencionar a possibilidade de uma ação militar contra Cuba após o encerramento dos conflitos no Oriente Médio. Segundo autoridades americanas, o objetivo seria provocar mudanças no comando político cubano.
O governo cubano reagiu com forte preocupação e afirmou que responderá a qualquer tentativa de invasão. O clima entre os dois países é considerado um dos mais tensos das últimas décadas.