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Início Justiça

STF arquiva ação movida por Bolsonaro contra Lula e Gleisi Hoffmann em decisão de Nunes Marques

Por Junior Melo
08/maio/2026
Em Justiça
Nunes Marques propõe mudança nas urnas eletrônicas

Nunes Marques - Foto: © Fellipe Sampaio/SCO/STF

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O ministro Nunes Marques, do STF, decidiu arquivar uma ação movida por Jair Bolsonaro contra Lula e Gleisi Hoffmann relacionada a declarações feitas na campanha de 2022.

O que decidiu Nunes Marques no arquivamento da ação?

O ministro Nunes Marques determinou, nesta quinta-feira (7/5), o arquivamento da representação apresentada por Jair Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a deputada Gleisi Hoffmann. A decisão seguiu entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o ministro, não havia base jurídica suficiente para dar prosseguimento ao caso. Além disso, ele destacou a ausência de uma queixa-crime formal por parte de Bolsonaro dentro dos autos, fator decisivo para o encerramento do processo.

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Por que Bolsonaro acionou Lula e Gleisi Hoffmann?

Na ação, Bolsonaro alegava que ambos teriam cometido crimes contra a honra, especialmente durante o período eleitoral de 2022. As falas citadas envolviam críticas duras ao então presidente e publicações nas redes sociais.

Entre as declarações contestadas estavam acusações feitas por Lula e uma postagem atribuída a Gleisi Hoffmann. As falas geraram disputa jurídica em meio ao clima de forte polarização política. As principais acusações incluíam:

  • Lula ter chamado Bolsonaro de “genocida”
  • Menção a suposto “canibalismo”
  • Expressão de “atuação demoníaca”
  • Post de Gleisi sugerindo Bolsonaro como “mandante” de crime político

O que disse a Procuradoria-Geral da República sobre o caso?

A PGR avaliou que as falas ocorreram dentro do contexto do embate político da campanha eleitoral de 2022. Para o órgão, as declarações não configuravam necessariamente crimes, mas sim críticas dentro do debate público.

No entendimento da Procuradoria, termos como “genocida” e outras expressões tinham caráter político, especialmente ligados às críticas sobre a condução da pandemia da Covid-19. Além disso, a PGR destacou pontos específicos do caso:

  • A expressão “canibalismo” teria origem em vídeo antigo de Bolsonaro
  • O conteúdo já havia sido analisado pelo TSE
  • A postagem de Gleisi foi interpretada como crítica política, não acusação criminal

Como a imunidade influenciou a decisão do STF?

A decisão também levou em conta o entendimento sobre imunidades legais. No caso de Lula, o ministro apontou a existência de imunidade processual temporária, por se tratar de presidente em exercício.

Já em relação à deputada Gleisi Hoffmann, Nunes Marques considerou válida a imunidade parlamentar, protegendo manifestações feitas no exercício do mandato legislativo. Essa proteção jurídica foi essencial para o desfecho do caso, reforçando que opiniões políticas no contexto eleitoral possuem maior margem de liberdade de expressão.

O que pesou no arquivamento do processo contra Lula e Gleisi?

O ministro também destacou fatores processuais importantes que impediram o avanço da ação. Entre eles, a ausência de denúncia formal e a falta de iniciativa adequada da parte autora.

Além disso, o entendimento reforçou que as manifestações ocorreram em ambiente de disputa eleitoral, o que amplia a tolerância jurídica para discursos mais duros. Os principais pontos considerados foram:

  • Ausência de denúncia da PGR
  • Falta de queixa-crime formal
  • Contexto de debate eleitoral
  • Proteções legais de imunidade parlamentar e presidencial

O que muda após a decisão de Nunes Marques?

Com o arquivamento, o processo contra Lula e Gleisi Hoffmann é encerrado no STF, sem responsabilização criminal pelas declarações citadas na ação movida por Bolsonaro.

A decisão reforça o entendimento de que críticas políticas durante campanhas eleitorais podem ser protegidas dentro dos limites da liberdade de expressão e das imunidades previstas em lei. O caso também evidencia como o Judiciário tem interpretado disputas políticas recentes sob a ótica do contexto eleitoral e da proteção institucional dos agentes públicos.

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