A escolha da tonalidade na hora da compra vai além da estética. Dados da Mobiauto indicam que certas cores de carros possuem maior liquidez, enquanto outras podem acelerar a depreciação, afetando diretamente o bolso do proprietário no momento da venda.
Por que as cores neutras dominam a preferência do mercado?
O mercado de usados prioriza a facilidade de negociação. Cores sóbrias como branco, cinza, prata e preto são as mais procuradas, pois possuem um público-alvo muito mais amplo. Essa demanda elevada garante que o veículo seja vendido mais rapidamente, reduzindo o tempo de exposição e a necessidade de grandes descontos.
De acordo com análises do portal Webmotors Autoinsights, as cores neutras representam a grande maioria das buscas. Por exemplo, o preto domina cerca de 27,9% do interesse dos consumidores em veículos zero-quilômetro, enquanto o cinza alcança 22,2%, consolidando-se como as escolhas mais seguras para manter o valor do patrimônio.
Quais cores costumam sofrer maior desvalorização?
Cores vibrantes ou pouco convencionais, como amarelo, laranja e roxo, apresentam um risco maior de desvalorização. O comprador para esses veículos é restrito, o que diminui a liquidez e força o vendedor a reduzir o preço para concretizar o negócio. Além disso, fatores regionais podem agravar essa perda financeira.
Confira na tabela abaixo a variação de preço observada em estudos recentes de mercado:
O que dizem os especialistas sobre cores específicas?
Pesquisas da Kelly Blue Book apontam que tonalidades como verde, preto e azul contribuem significativamente para a depreciação. O preto é um caso curioso: embora seja muito procurado, a vasta oferta de usados dessa cor cria uma concorrência interna que reduz o valor de revenda unitário.
Existem situações peculiares que afastam potenciais compradores, como observado em estudos da PPG Industries sobre impactos regionais:
- Cores incomuns possuem público muito menor e menor liquidez imediata.
- O amarelo sofre depreciação extra no Rio de Janeiro devido à associação com a cor dos táxis.
- A depreciação do amarelo no referido mercado é 2,1 pontos percentuais superior à média nacional.
Como equilibrar a escolha pessoal com a decisão racional?
Se a prioridade é a estratégia financeira, optar por tons neutros é o caminho mais conservador. Contudo, para quem planeja utilizar o veículo por um período prolongado, como dez anos ou mais, o impacto da cor na depreciação final torna-se irrelevante perto da satisfação pessoal de dirigir um carro da cor preferida.
É importante destacar que o tipo de pintura, seja ela sólida, metálica ou perolizada, não altera significativamente a perda de valor. A escolha deve focar na tonalidade para evitar dificuldades no momento da revenda, priorizando sempre as tendências apontadas pelos relatórios do setor de indústria automobilística.
Qual é o melhor momento para considerar a cor na compra?
Considerar o prazo de permanência com o bem é fundamental antes de assinar o contrato de compra. Quem pretende trocar de carro em poucos anos deve evitar cores muito específicas que encalham facilmente nas lojas. Já para o proprietário de longo prazo, a liquidez deve ocupar um segundo plano em relação ao conforto e à utilidade do automóvel no cotidiano.
Independentemente da cor escolhida, a manutenção do estado de conservação do veículo e o histórico de revisões são tão cruciais quanto o tom da carroceria. Um carro de cor menos popular, mas impecavelmente cuidado, pode ser mais valorizado do que um veículo popular que apresenta sinais de desgaste excessivo, reforçando que o cuidado com o patrimônio deve ser sempre a prioridade do motorista.