A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero. A decisão reforça o endurecimento do caso e o desgaste nas negociações de colaboração.
Por que a PF rejeitou a delação de Daniel Vorcaro?
A decisão da PF foi tomada nesta quarta-feira (20/5) após análise do material entregue pela defesa de Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, a proposta não atendia aos critérios mínimos de consistência e utilidade.
A avaliação interna indicou que havia omissões relevantes e tentativas de preservar nomes influentes de Brasília supostamente ligados ao esquema investigado. Além disso, os anexos apresentados foram considerados frágeis e sem capacidade de contribuir de forma efetiva para o avanço da investigação.
O que a Polícia Federal identificou na proposta de colaboração?
De acordo com a PF, a colaboração apresentada pela defesa do banqueiro não trouxe elementos novos suficientes e apresentou falhas estruturais relevantes.
Entre os principais pontos levantados pelos investigadores, estavam indícios de seletividade nas informações fornecidas. Para facilitar a compreensão, a PF resumiu os principais problemas encontrados na proposta:
- Omissão de informações consideradas centrais
- Tentativa de proteção de figuras políticas
- Anexos considerados insuficientes
- Baixa utilidade prática para a investigação
Como está a situação de prisão de Daniel Vorcaro atualmente?
Após a rejeição da delação, a situação prisional de Daniel Vorcaro também passou por mudanças recentes dentro da Superintendência da PF em Brasília.
O empresário, preso desde março, foi transferido de uma sala especial para uma cela comum utilizada por presos em trânsito. Aliados afirmam que o novo espaço tem condições mais rígidas e estrutura inferior à de outras unidades por onde ele passou anteriormente.
O que é a Operação Compliance Zero?
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e outras irregularidades ligadas ao Banco Master.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro seria o principal articulador do grupo investigado. Ao longo das fases da operação, diferentes frentes de apuração foram abertas. Entre os principais marcos, destacam-se:
- 1ª fase: prisão de executivos e apreensão de bens de luxo e dinheiro vivo
- 2ª fase: bloqueio bilionário e buscas em vários estados
- 3ª fase: novas suspeitas envolvendo ameaça e “milícia privada”
- 4ª fase: investigação de imóveis usados em possível lavagem de dinheiro
- 5ª fase: avanço sobre o núcleo político, incluindo o senador Ciro Nogueira
- 6ª fase: prisão do pai do empresário e envolvimento de policiais
Quais mudanças ocorreram após decisão do STF no caso?
As condições de custódia de Daniel Vorcaro foram alteradas após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão determinou que o investigado passasse a cumprir as regras ordinárias da Superintendência da PF.
Com isso, também houve mudanças no acesso da defesa e na rotina de atendimento jurídico. Entre as novas restrições impostas estão:
- Visitas dos advogados limitadas a duas vezes por dia
- Tempo máximo de 30 minutos por encontro
- Proibição de uso de instrumentos de trabalho durante as visitas
- Fim do acesso livre entre 9h e 17h
A delação ainda pode avançar nas investigações?
Apesar da rejeição, a defesa de Daniel Vorcaro ainda tentou apresentar uma nova versão da proposta de colaboração nos últimos dias. A estratégia buscava evitar o encerramento definitivo das negociações com a Polícia Federal.
No entanto, a avaliação interna dos investigadores é de que o acordo perdeu força diante das inconsistências apresentadas. O avanço do caso também ampliou o alcance político da investigação, atingindo nomes como o próprio Ciro Nogueira e elevando a pressão sobre o núcleo do esquema apurado pela PF.