O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as críticas ao norte-americano Donald Trump desde o início da guerra no Irã, em fevereiro deste ano. Apesar do tom duro adotado nos últimos meses, os dois líderes voltam a se encontrar nesta quinta-feira (7/5), na Casa Branca, em Washington.
Como Lula e Trump tentam uma reaproximação?
A reunião marca o terceiro encontro entre Lula e Trump desde o retorno do republicano à presidência dos Estados Unidos. O encontro ocorre 68 dias após o início da guerra no Irã, tema que elevou o desgaste diplomático entre Brasília e Washington.
Apesar do clima de tensão, a comitiva brasileira busca avançar em acordos ligados a comércio, segurança e minerais estratégicos. A guerra no Oriente Médio não aparece oficialmente na pauta, mas pode surgir durante a conversa entre os presidentes.
Quais principais críticas públicas contra Trump Lula fez?
Desde março, o presidente brasileiro passou a subir o tom em entrevistas e discursos. As declarações atingiram temas como Pix, tarifas comerciais, guerras, Cuba e decisões unilaterais dos Estados Unidos. Entre as principais falas de Lula sobre Trump, estão:
- “Não foi eleito imperador do mundo”
- “Está jogando um jogo muito errado”
- “O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar”
- “Parem com essa loucura de guerra”
- “Nós vamos fazer reciprocidade”
- “Enquanto Trump quer fazer guerra, nós queremos ensinar o povo africano a fazer paz”
Como a guerra no Irã mudou o discurso do presidente brasileiro?
No início do ano, Lula adotava uma postura mais cautelosa em relação ao líder republicano. Com o avanço do conflito envolvendo o Irã, o petista passou a associar Trump ao fortalecimento do unilateralismo internacional.
Durante viagens recentes pela Europa, Lula criticou a política externa dos EUA. Em agendas na Espanha, Alemanha e Portugal, o presidente brasileiro condenou guerras, defendeu Cuba e questionou o papel norte-americano em decisões globais.
Como o atrito entre Brasil e EUA foi intensificado?
Outro ponto que ampliou a tensão entre os governos foi a manutenção das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Mesmo após encontros anteriores, a medida comercial não foi revertida pela gestão Trump.
O governo brasileiro também reagiu a pressões envolvendo o Pix, sistema de pagamentos criado pelo Banco Central. Lula afirmou publicamente que o Brasil não aceitará interferências externas em temas considerados internos.
Encontro em Washington tenta destravar negociações?
A reunião desta quinta-feira havia sido planejada inicialmente para março, mas acabou adiada por causa da escalada militar no Oriente Médio. Agora, os dois governos tentam reconstruir pontes após semanas de trocas de críticas públicas.
Além de Lula, a delegação brasileira conta com cinco ministros e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A expectativa é avançar em temas ligados a comércio, investigação pela Seção 301 e cooperação contra o crime organizado.
Quais os próximos passos na relação entre Lula e Trump?
Mesmo com divergências recentes, os dois presidentes já demonstraram momentos de aproximação. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro passado, Trump chegou a afirmar que havia uma “excelente química” com Lula.
Agora, o encontro na Casa Branca é visto como uma tentativa de reduzir o desgaste diplomático acumulado desde o início da guerra no Irã. O resultado da conversa pode influenciar diretamente as relações políticas e econômicas entre Brasil e Estados Unidos nos próximos meses.