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Justiça condena banco a ressarcir R$ 6 mil para vítima do golpe no Telegram por falha na abertura de conta fraudulenta

Por Guilherme Silva
11/maio/2026
Em Geral
O detalhe na abertura da conta que fez o banco perder a causa contra vítima de golpe no Telegram

O detalhe na abertura da conta que fez o banco perder a causa contra vítima de golpe no Telegram

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A crescente sofisticação dos crimes digitais colocou as instituições financeiras no centro de debates jurídicos sobre segurança e responsabilidade. Quando um consumidor é vítima de um golpe no Telegram, a justiça brasileira tem analisado se a falha ocorreu na conduta da vítima ou no sistema bancário.

Qual foi o motivo da condenação da instituição financeira?

A condenação de R$ 6 mil imposta pela 2ª Turma Recursal do Rio Grande do Norte não focou na transferência voluntária, mas na negligência do banco receptor. A instituição permitiu a abertura de uma conta fraudulenta utilizada por estelionatários sem realizar as verificações de identidade e idoneidade exigidas pela legislação vigente.

O magistrado José Conrado Filho destacou que o banco facilitou a atividade ilícita ao não filtrar o cadastro de criminosos em sua base de dados. Para entender as normas de segurança que regem essas aberturas de conta, o portal do Banco Central do Brasil detalha as obrigações de compliance que todas as fintechs devem seguir.

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Créditos: depositphotos.com / Primakov
Aplicativo Telegram no smartphone – Créditos: depositphotos.com / Primakov

O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre esses casos?

A base jurídica para a restituição dos valores fundamenta-se no artigo 14 do CDC, que estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços. Isso significa que o banco responde pelos danos causados por defeitos na prestação do serviço, independentemente da existência de culpa direta no evento específico do golpe no Telegram.

Essa interpretação é reforçada pela Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça, que classifica fraudes praticadas por terceiros no âmbito de operações bancárias como fortuito interno. O conceito de fortuito interno, refere-se aos riscos inerentes à própria atividade econômica explorada pela empresa.

Existe diferença entre transferência voluntária e falha bancária?

Sim, e essa distinção é fundamental para o sucesso de uma ação judicial contra bancos e instituições de pagamento. Se o correntista realiza a operação com uso de senha pessoal após contato em rede social, sem falha comprovada no sistema de segurança, o STJ entende que a culpa pode ser exclusiva do consumidor.

A responsabilidade recai sobre o banco apenas quando fica demonstrado que o sistema de segurança falhou, como na criação de “contas de passagem” por laranjas. Nesses casos, a Turma Nacional de Uniformização fixou a tese de que o risco da atividade bancária deve ser suportado pela empresa que lucra com o serviço.

Golpe do Pix acaba em indenização
Golpe do Pix acaba em indenização

Como proceder legalmente após sofrer um golpe via Pix?

Ao perceber que foi alvo de uma fraude, o tempo é o fator mais determinante para a recuperação dos ativos financeiros. A vítima deve reunir todas as provas da conversa no Telegram e os comprovantes das transações realizadas para embasar o pedido de ressarcimento perante as autoridades competentes.

Confira os passos essenciais para buscar seus direitos:

  • Boletim de Ocorrência: Registre o fato detalhando as chaves Pix utilizadas pelos criminosos.
  • Notificação oficial: Comunique o banco por escrito sobre a suspeita de conta fraudulenta receptora.
  • Protocolo no Banco Central: Utilize o canal de reclamações para documentar a falha de segurança da instituição.
  • Ação judicial: Busque o Juizado Especial Cível para valores de até 40 salários mínimos.

Quais evidências são necessárias para vencer o processo?

Para obter a condenação do banco, a vítima precisa demonstrar que a conta que recebeu o dinheiro não possui um titular legítimo ou foi aberta sem rigor. A apresentação de prints das promessas de lucro rápido e a rapidez na comunicação do erro ao banco são elementos que fortalecem o nexo causal no processo.

A justiça brasileira tem se mostrado atenta ao comportamento de fintechs que priorizam o crescimento acelerado em detrimento da segurança dos usuários. Ao comprovar que a instituição falhou em monitorar atividades suspeitas, o consumidor garante o direito de reaver o prejuízo financeiro causado pela facilitação indireta do crime.

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