A nova operação da Polícia Federal colocou o ex-governador Cláudio Castro novamente no centro das atenções políticas do Rio de Janeiro, em meio a investigações que envolvem a antiga Refinaria de Manguinhos e suspeitas de movimentações financeiras irregulares.
Quem é alvo da Operação Sem Refino?
A operação da PF foi deflagrada nesta sexta-feira (15/5) e mira o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Ao todo, os agentes cumprem 17 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro.
Os investigadores apuram suspeitas de que a estrutura financeira da empresa teria sido usada para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio de recursos ao exterior. A investigação acontece sob autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Como foram as buscas da PF contra Cláudio Castro?
Agentes federais estiveram na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A ação faz parte do conjunto de mandados expedidos pela Suprema Corte.
O advogado do ex-governador, Carlo Luchione, afirmou ao portal g1 que ainda não havia recebido detalhes sobre a motivação da operação. Até o momento, Castro não se pronunciou publicamente sobre as acusações.
Ricardo Magro entrou na mira da Interpol
Além das buscas, a Polícia Federal pediu a inclusão do empresário Ricardo Magro na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar foragidos internacionais considerados prioritários.
Segundo os investigadores, os indícios apontam para possível evasão de recursos financeiros para o exterior. A Refit já esteve envolvida em outras apurações relacionadas ao setor de combustíveis e movimentações empresariais.
Quais outros nomes também foram citados na operação?
A operação não atingiu apenas políticos e empresários ligados ao caso. Entre os alvos estão ainda o desembargador afastado Guaraci Vianna e o ex-procurador Renan Saad, ambos citados na investigação conduzida pela PF.
Segundo as autoridades, a ação está vinculada à chamada ADPF das Favelas, processo que investiga a atuação de organizações criminosas e possíveis conexões com agentes públicos no estado. Entre os principais pontos apurados estão:
- Ocultação patrimonial
- Dissimulação de bens
- Movimentação financeira suspeita
- Envio de recursos ao exterior
- Possíveis vínculos com agentes públicos
Qual a crise política e institucional no Rio de Janeiro?
O estado do Rio de Janeiro vive atualmente uma situação política delicada após a renúncia de Cláudio Castro ao governo em março. A saída aconteceu um dia antes da retomada do julgamento no TSE que acabou declarando sua inelegibilidade.
Com a vacância nos cargos de governador e vice-governador, o comando estadual está interinamente nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. O STF ainda discute se a escolha do próximo governador será feita por eleição direta ou indireta.
Cláudio Castro ainda planeja disputar o Senado?
Mesmo diante do cenário turbulento, Cláudio Castro mantém a intenção de disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições de outubro. A operação da PF, porém, amplia a pressão política sobre o ex-governador em um momento decisivo.
A investigação também aumenta a atenção nacional sobre a crise institucional fluminense, que segue sem definição definitiva sobre a sucessão no Executivo estadual. O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias nos bastidores políticos de Brasília e do Rio.