A prisão da influenciadora Deolane Bezerra durante a Operação Vérnix colocou novamente o PCC no centro de uma investigação milionária sobre lavagem de dinheiro. O caso, conduzido pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, também mira Marcola e familiares do líder da facção.
Como começou a investigação contra o PCC?
A apuração teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material estava com dois presos ligados ao Primeiro Comando da Capital e continha referências a ordens internas da facção.
Os investigadores identificaram menções a ataques contra agentes públicos e conexões com integrantes da cúpula criminosa. Os dois detentos acabaram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.
O que levou os investigadores até a transportadora?
Durante a análise dos documentos, a polícia encontrou a citação de uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar informações sobre servidores públicos. A partir disso, nasceu um novo inquérito policial.
As diligências levaram até uma empresa de cargas localizada em Presidente Venceslau, apontada como empresa de fachada usada para ocultar dinheiro do crime organizado. A transportadora apresentava movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada.
Operação revelou esquema de lavagem milionária
Em 2021, a chamada Operação Lado a Lado aprofundou a investigação sobre o uso da transportadora como braço financeiro do PCC. Na ocasião, a polícia apreendeu um celular escondido com um operador da facção.
As mensagens encontradas mostraram uma estrutura organizada de lavagem de dinheiro, com divisão de lucros e movimentações ordenadas diretamente pela cúpula do grupo criminoso. Entre os nomes citados estavam Deolane Bezerra e Everton de Souza, conhecido como “Player”.
Quais foram as descobertas envolvendo Deolane Bezerra?
Segundo a investigação, depósitos ligados à empresa de fachada abasteciam contas de Deolane Bezerra e de Everton de Souza. Os registros apareceram no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador financeiro da organização criminosa.
A polícia afirma que a influenciadora mantinha relações pessoais e comerciais com integrantes ligados à transportadora. Os investigadores também apontaram patrimônio elevado, empresas e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a origem declarada dos recursos.
Quanto dinheiro foi movimentado nas contas investigadas?
Os relatórios financeiros identificaram depósitos fracionados em espécie, prática conhecida como smurfing, usada para dificultar o rastreamento bancário. Entre 2018 e 2021, mais de R$ 1 milhão entrou na conta pessoal da influenciadora. Entre os principais pontos levantados pela investigação estão:
- R$ 1,067 milhão recebidos em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil
- Quase 50 depósitos para empresas ligadas a Deolane
- Transferências que somam cerca de R$ 716 mil
- Uso de empresas consideradas de fachada
- Ausência de contratos ou serviços que justificassem os valores
Os investigadores também afirmam que não encontraram comprovação de serviços advocatícios capazes de justificar os repasses feitos para as contas da influenciadora e de suas empresas.
O que acontece agora na Operação Vérnix?
A nova fase da investigação recebeu o nome de Operação Vérnix e busca aprofundar a apuração sobre lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e uso de empresas para dar aparência legal aos recursos do PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões ligados a Deolane Bezerra, valor que, segundo a investigação, não teve origem comprovada. Já Ciro Cesar Lemos e a esposa seguem foragidos enquanto a polícia tenta localizar outros envolvidos no esquema.