Um contato salvo em celular pode ser peça-chave em uma investigação que apura a suposta liberação irregular de um pouso de helicóptero ligado ao PCC no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Quais as revelações sobre o pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes?
A Polícia investiga a autorização de um pouso ocorrido em março de 2022, no Palácio dos Bandeirantes, envolvendo um suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso veio à tona após análise de celulares apreendidos.
Segundo os documentos, o pouso teria sido liberado para que um suspeito da organização criminosa pudesse ir a um jogo de futebol. A autorização teria sido obtida em poucas horas, o que levantou suspeitas. As informações são do Metrópoles.
Como Thiago Rocha teria articulado a autorização do heliponto?
O investigado Thiago Rocha (PSD), preso na segunda-feira (27/4), teria intermediado o pedido feito por um suposto membro do PCC identificado como João Gabriel de Mello Yamawaki. A solicitação envolvia o uso do heliponto do governo paulista.
De acordo com a apuração, Thiago teria usado uma justificativa estratégica para facilitar a liberação e afirmou que trataria o grupo como uma “delegação do Japão”, tentando viabilizar o pouso junto ao governo.
Qual é o papel do contato ligado a Adriano Guimarães Simões no caso?
A investigação aponta que o celular de Thiago Rocha continha o contato de Adriano Guimarães Simões, ex-assessor do governo João Doria e atual suplente de deputado federal. O nome aparece salvo como referência a um articulador político.
Esse registro levantou suspeitas sobre eventual influência para agilizar autorizações no Palácio. A Polícia, no entanto, não afirma ligação direta com o secretário citado nas mensagens. Entre os principais pontos identificados no material investigado estão:
- Contato salvo como “Adriano Deputado Vinholi”
- Mensagens sobre articulação de autorização
- Menção ao gabinete do secretário estadual
- Indícios de intermediação política para liberação do heliponto
Por que a rapidez da autorização chamou atenção da investigação?
O ponto central da apuração é a velocidade incomum com que o pedido foi atendido. Segundo a Polícia, o processo começou pela manhã e foi autorizado poucas horas depois.
A representação destaca que, em cerca de seis horas, a solicitação saiu do pedido inicial até a liberação formal emitida pela Casa Militar do Estado de São Paulo, o que gerou estranhamento.
O que dizem os investigadores sobre possíveis falhas no processo?
Os investigadores apontam dúvidas sobre a checagem das informações fornecidas no pedido de pouso. A justificativa apresentada teria sido apenas a presença de uma suposta delegação estrangeira.
O delegado responsável também questiona se houve eventual falha de verificação ou conivência de servidores públicos no processo de autorização do heliponto oficial do governo.
Como reagiram autoridades e envolvidos citados na investigação?
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que autorizações seguem critérios técnicos da Anac e não comentou diretamente o caso. Já gestões anteriores evitaram aprofundar declarações.
O ex-governador João Doria informou, por meio de sua assessoria, que não vai comentar o caso. O ex-secretário citado na investigação também nega envolvimento e afirma desconhecer o episódio.
O que dizem os citados na investigação sobre as acusações?
Adriano Guimarães Simões nega participação e afirma que não tem ligação com os investigados. Ele diz ainda que o contato era amplamente compartilhado com autoridades municipais quando atuava no governo.
A assessoria de Marco Vinholi também declarou desconhecer o caso e reforçou que sua pasta não tinha gestão sobre o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, responsabilidade atribuída à Casa Militar.