Após quase cinco anos do anúncio da nova política ferroviária, o primeiro projeto de ferrovia por autorização no Brasil finalmente entrou em fase de implantação, marcando um passo simbólico para o setor de infraestrutura.
Como a nova ferrovia vai sair do papel no Brasil?
A primeira obra concreta dentro do modelo de autorização ferroviária começou a avançar no país após anos de expectativa e poucos resultados práticos. O projeto é um ramal privado em Mato Grosso do Sul.
Trata-se de uma iniciativa da gigante chilena Arauco, que começou as obras em fevereiro e inaugura, na prática, um novo ciclo de investimentos em trilhos sob gestão direta da iniciativa privada.
Como funciona o modelo de autorização ferroviária no país?
O modelo de autorização ferroviária foi criado para permitir que empresas construam e operem ferrovias sem concessão tradicional, desde que cumpram exigências regulatórias.
A aprovação depende da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), além de licenciamento ambiental e alinhamento com diretrizes do Ministério dos Transportes, tornando o processo mais flexível do que o modelo público.
Por que o primeiro projeto demorou quase cinco anos para avançar?
Lançado em 2021 por meio da MP 1.065, o modelo de autorizações prometia acelerar investimentos privados em ferrovias e criar um “boom” logístico no país.
No entanto, muitos projetos não avançaram por desistências ou perda de prazo, e apenas uma parte dos pedidos recebeu autorização, o que atrasou a chegada de obras reais. Veja detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo Canal Gov:
Qual é o projeto ferroviário da Arauco em Mato Grosso do Sul?
O primeiro empreendimento em execução é o ramal da Arauco, com cerca de 54 quilômetros totais, conectando o interior de Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional.
O objetivo é escoar a produção da nova fábrica de celulose em Inocência (MS) até o Porto de Santos (SP), integrando o sistema à Malha Norte operada pela Rumo. Antes de avançar, o projeto reúne elementos que explicam sua dimensão estratégica:
- Investimento estimado de R$ 2,4 bilhões
- Integração com a maior fábrica de celulose do mundo em etapa única
- Conexão com o Porto de Santos para exportação
- Operação alinhada à logística da Malha Norte
- Início das operações previsto para o segundo semestre de 2027
Quais impactos logísticos e ambientais a ferrovia pode gerar?
A expectativa é que o novo ramal reduza significativamente o fluxo de caminhões nas rodovias da região, alterando a dinâmica logística do Centro-Oeste.
Segundo a empresa, o transporte ferroviário pode trazer ganhos expressivos de eficiência e sustentabilidade ao escoamento da produção industrial. Entre os principais impactos esperados estão:
- Redução de até 94% nas emissões de CO2
- Retirada de cerca de 190 viagens diárias de caminhões
- Maior segurança nas rodovias regionais
- Redução de custos logísticos no longo prazo
- Menor dependência do transporte rodoviário
Qual é a posição do governo sobre as ferrovias por autorização?
Apesar de considerar o projeto da Arauco um marco simbólico, o governo federal não trata o modelo de autorização como prioridade central da política ferroviária. O ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou que a estratégia da pasta segue focada principalmente no modelo de concessões, com previsão de oito leilões no setor.
Mesmo assim, a ANTT avalia que o sistema começa a amadurecer, com o diretor-geral Guilherme Sampaio destacando que o modelo não teve o boom esperado, mas passou a ser uma alternativa relevante dentro do setor ferroviário brasileiro.