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Início Justiça

Funcionária de 67 anos é chamada de ‘bruxa’ no trabalho e empresa acaba tendo que pagar R$ 25 mil

Por Guilherme Silva
03/abr/2026
Em Justiça
Funcionária de 67 anos é chamada de ‘bruxa’ no trabalho e empresa acaba tendo que pagar R$ 25 mil

Justiça condena empresa por danos morais devido a assédio e etarismo contra idosa

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Uma auxiliar de limpeza de 67 anos receberá uma indenização de R$ 25 mil após sofrer humilhações sistemáticas em seu ambiente profissional. O caso, ocorrido em uma unidade das Casas Bahia em Franco da Rocha (SP), expõe a gravidade do assédio moral no Brasil.

Qual o fundamento jurídico para a condenação?

A 9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) reconheceu, por unanimidade, que a trabalhadora foi vítima de discriminação etária e ofensas à sua dignidade. A gerente da loja utilizava termos pejorativos como “bruxa” e “velha” para se referir à funcionária de forma reiterada.

Para os magistrados, tal conduta viola diretamente preceitos da Constituição Federal e do Estatuto do Idoso. O valor estipulado possui caráter pedagógico, visando reparar o abalo emocional da vítima e desestimular que a rede varejista tolere práticas abusivas de seus gestores no futuro.

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Martelo de juiz e Código Penal simbolizando as consequências da apropriação indébita

Quais foram as humilhações comprovadas no processo?

O cenário revelado nos autos demonstrou um constrangimento público e frequente diante de clientes e outros colaboradores. A superiora hierárquica não apenas proferia os insultos, mas incentivava ativamente que os demais colegas de equipe reproduzissem as ofensas contra a profissional veterana.

Entre as práticas abusivas detalhadas pela justiça, destacam-se pontos críticos:

  • Apelidos pejorativos: uso constante de termos como “velha” para ferir a autoestima.
  • Exposição pública: repreensões ríspidas feitas propositalmente na frente de terceiros.
  • Abuso financeiro: a funcionária era obrigada a comprar materiais de limpeza com recursos próprios.
  • Estímulo ao escárnio: a gerência criava um ambiente de deboche coletivo contra a idosa.

Como o tribunal avaliou a gravidade do etarismo?

A Justiça do Trabalho considerou que houve um ataque direto à saúde mental da auxiliar, agravado pelo fato de ela possuir mais de dez anos de serviços prestados. O entendimento foi de que o assédio moral se manifestou como etarismo, uma forma de preconceito baseada estritamente na idade da pessoa.

Além da indenização por danos morais, a empresa foi condenada a reembolsar os valores gastos com materiais e a pagar o adicional de insalubridade em grau máximo. A decisão de segundo grau elevou o montante indenizatório original, sinalizando que punições financeiras leves são insuficientes para coibir a discriminação estrutural.

MARTELO DA JUSTIÇA E DINHEIRO EM CIMA DA MESA
Martelo da Justiça e dinheiro em cima da mesa

O que as empresas devem aprender com este caso?

Este episódio serve como um alerta rigoroso para os departamentos de Recursos Humanos sobre a vigilância necessária com lideranças abusivas. Ignorar queixas de subordinados ou permitir “brincadeiras” sobre a aparência física de funcionários idosos gera responsabilidade civil imediata para a organização corporativa.

Segundo diretrizes do TRT-2, a manutenção de um meio ambiente de trabalho equilibrado é obrigação do empregador. A negligência na fiscalização do comportamento de gerentes pode resultar em prejuízos financeiros vultosos e danos severos à reputação da marca no mercado consumidor.

Como identificar o assédio moral no cotidiano?

O assédio moral se configura pela repetição de atos que visam isolar ou humilhar o trabalhador, desestabilizando seu equilíbrio emocional. Quando focado na idade, o agressor tenta invalidar a competência do profissional mais velho, utilizando estereótipos negativos para forçar um pedido de demissão ou exclusão social.

Vítimas de situações semelhantes devem reunir provas, como testemunhas e registros de mensagens, para buscar reparação judicial. A proteção à dignidade humana não prescreve com a idade, e o judiciário brasileiro tem se mostrado cada vez mais intolerante com o desrespeito aos direitos fundamentais previstos na legislação vigente.

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