Ao atravessar cerca de 650 metros de galerias subterrâneas, quem visita a Gruta do Maquiné percorre um cenário moldado pela água ao longo de aproximadamente 600 milhões de anos. Localizada em Cordisburgo, no interior de Minas Gerais, a caverna divide protagonismo com a cidade natal de Guimarães Rosa, unindo natureza e história em um mesmo destino.
A descoberta que marcou a ciência no Brasil
A entrada da gruta foi identificada em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné, enquanto buscava salitre para a produção de pólvora. Anos depois, em 1834, o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund iniciou ali estudos pioneiros que ajudariam a fundar a paleontologia no Brasil. Encantado com o local, Lund teria vivido dentro da caverna por cerca de dois anos.
As escavações revelaram fósseis impressionantes, como o de um tigre-dente-de-sabre e o de uma preguiça-gigante batizada de Nothrotherium maquinense, em referência à gruta. Ao todo, mais de 12 mil peças foram enviadas para a Dinamarca, onde permanecem no acervo de Copenhague. Além disso, pinturas rupestres encontradas nas galerias indicam que povos pré-históricos já utilizavam o espaço como abrigo muito antes de qualquer registro científico.
O que esperar ao percorrer os salões da gruta
O trajeto aberto à visitação na Gruta do Maquiné tem cerca de 650 metros e atravessa sete salões interligados por passagens estreitas, cada um batizado conforme as formas curiosas das rochas. No Salão do Trono, colunas imponentes dominam o cenário, enquanto a Galeria das Fadas chama atenção por formações que lembram franjas e lustres delicados. Com um desnível total de apenas 18 metros, o percurso é considerado acessível para visitantes de diferentes idades.
A experiência é conduzida por guias do Monumento Natural Estadual Peter Lund, área de conservação criada em 2005 pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). As visitas acontecem em grupos com saídas a cada hora e duração média de 45 minutos. A iluminação em LED foi pensada para valorizar os detalhes das formações sem comprometer o equilíbrio do ambiente interno.
O vídeo do canal Curiosas Cidades apresenta Cordisburgo, em Minas Gerais, destacando sua importância cultural como terra natal de Guimarães Rosa e sua relevância científica devido à Gruta de Maquiné.
O que mais conhecer em Cordisburgo?
É uma cidade pequena, mas concentra atrações que rendem um dia inteiro de passeio. Literatura, história e natureza se cruzam em poucos quilômetros.
- Museu da Gruta do Maquiné: espaço interativo no centro de visitantes da gruta, com linha do tempo sobre Lund e réplicas de fósseis produzidas pela UFMG.
- Zoológico de Pedras: esculturas que representam animais pré-históricos da região, criadas por artistas locais.
- Rota das Grutas Peter Lund: circuito que liga Maquiné às grutas da Lapinha (Lagoa Santa) e Rei do Mato (Sete Lagoas), passando por museus e sítios arqueológicos.
- Museu Casa Guimarães Rosa: instalado na casa onde o escritor nasceu em 1908, reúne mais de 700 itens entre objetos pessoais, fotografias e edições raras. O Grupo Miguilim, formado por jovens da cidade, recebe visitantes com narrações de trechos da obra rosiana.
- Portal Grande Sertão: conjunto de esculturas em bronze na Praça Miguilim, com seis vaqueiros montados a cavalo que homenageiam o universo de Grande Sertão: Veredas.
Quando o clima favorece o passeio subterrâneo?
Dentro da gruta a temperatura é estável o ano inteiro, mas o clima externo influencia o acesso e o conforto do visitante. Cordisburgo tem verão quente e chuvoso, inverno seco e ameno.
☀️ Verão
Dez – Fev19-29°C
Temperatura🍂 Outono
Mar – Mai16-27°C
Temperatura❄️ Inverno
Jun – Ago13-25°C
Temperatura🌸 Primavera
Set – Nov16-28°C
TemperaturaTemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Cordisburgo e à gruta
Para visitar Cordisburgo, ponto de partida para a Gruta do Maquiné, o trajeto mais comum parte de Belo Horizonte, a cerca de 120 km, seguindo pela BR-040 (sentido Brasília) até o acesso à MG-231, próximo a Paraopeba. A viagem de carro leva em torno de 2 horas. Já da área urbana até a gruta, são mais 5 km pela MG-421, em estrada asfaltada.
Uma imersão no tempo geológico e literário
Explorar a Gruta do Maquiné é entrar em um ambiente onde o tempo parece ter outro ritmo. No interior, formações de calcário esculpidas ao longo de 600 milhões de anos criam cenários que nenhum museu consegue reproduzir. Do lado de fora, Cordisburgo, terra de Guimarães Rosa, mantém a simplicidade que inspirou algumas das narrativas mais marcantes da literatura brasileira.
Descer os cerca de 18 metros do percurso é mais do que uma visita: é compreender, na prática, o fascínio que levou Peter Wilhelm Lund a deixar a Dinamarca para viver dentro de uma caverna em Minas Gerais.