Os investigadores que atuam no caso Banco Master avaliam que a tentativa de delação de um dos principais nomes ligados ao esquema pode não avançar, por falta de elementos novos relevantes para o inquérito.
O que dizem investigadores sobre a delação do cunhado de Vorcaro?
Fontes ligadas às apurações indicam que ao menos uma delação premiada deve “bater na trave” no caso Banco Master. O foco recai sobre o empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro.
Segundo os investigadores, o conteúdo esperado de sua colaboração não traria novidades significativas, já que ele teria atuado principalmente sob ordens diretas do ex-executivo do Master.
Quem é Fabiano Zettel no caso Banco Master?
Fabiano Zettel é descrito pela Polícia Federal como peça central na engrenagem financeira ligada a Vorcaro. Ele é casado com a irmã do ex-dono do Banco Master, o que o coloca no núcleo familiar da investigação.
Na decisão do STF que determinou prisões no caso, o ministro André Mendonça o apontou como responsável por organizar pagamentos e operacionalizar repasses ligados ao grupo investigado.
Por que a delação de Zettel pode ter pouco valor?
Para investigadores que acompanham o caso, a colaboração de Zettel teria impacto limitado porque ele teria atuado apenas como executor. Assim, seu depoimento repetiria versões já conhecidas.
A avaliação preliminar é de que sua delação não acrescentaria elementos novos ao conjunto de provas já reunido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Entre os principais motivos apontados para essa baixa relevância estão:
- Atuação subordinada a ordens diretas de Vorcaro
- Possível repetição de informações já obtidas em depoimentos anteriores
- Existência de vasta prova documental e digital já apreendida
- Ausência de papel decisório no núcleo do esquema
Como funcionava o esquema de pagamentos investigado pela PF?
De acordo com a investigação, Zettel teria papel central na operacionalização de pagamentos ligados ao grupo conhecido como “A Turma”. O esquema envolvia repasses a diferentes agentes e estruturas paralelas.
Entre as funções atribuídas a ele estavam pagamentos a operadores e o fluxo financeiro de interesses ligados ao entorno de Vorcaro. O funcionamento descrito pela PF incluía:
- Pagamentos mensais que poderiam chegar a R$ 1 milhão
- Repasses a integrantes do grupo de monitoramento e pressão
- Movimentação de recursos ligados a fundos e empresas intermediárias
- Atuação em estruturas financeiras complexas e descentralizadas
O que os investigadores esperam agora do caso Master?
A estratégia dos investigadores é endurecer as negociações de delação, exigindo informações que realmente ampliem o entendimento do esquema. A ideia é evitar acordos redundantes.
Além disso, o foco está na análise de um grande volume de provas ainda em processamento, incluindo celulares apreendidos e documentos da última fase da operação. A apuração segue concentrada em pontos-chave como:
- Rastreio completo do fluxo financeiro
- Identificação de fundos e estruturas intermediárias
- Envolvimento de agentes públicos e privados
- Consolidação de provas digitais e documentais
Qual é a ligação entre o caso e outras investigações sensíveis?
As investigações também citam movimentações financeiras envolvendo fundos e ativos ligados a figuras de alto escalão. Entre os pontos analisados está o fundo Arleen, controlado por Zettel.
Segundo relatórios da PF, há registros de diálogos sobre repasses financeiros e operações envolvendo o resort Tayayá, o que amplia o alcance da investigação.