Por Júnior Melo
Há dias em que uma simples conversa revela muito mais do que pesquisas, números ou articulações de bastidores. Ontem, ao telefone com um velho amigo, também advogado e jornalista, fui provocado sobre o cenário eleitoral para o Governo do Rio Grande do Norte. A pergunta era direta, mas a resposta veio carregada de inquietação: já não se fazem conservadores como antigamente.
A direita potiguar parece ter se perdido no próprio caminho. E, nesse processo, ergueu como alternativa um nome que, para muitos, carrega contradições difíceis de ignorar. Álvaro Dias, figura conhecida da política local, tem um histórico que dialoga mais com a velha política de conveniência do que com uma linha ideológica firme. É o mesmo político que já trilhou caminhos ao lado de forças como o PDT, que participou de gestos simbólicos ao lado da governadora Fátima Bezerra e que, recentemente, em espaço público, teceu críticas a Jair Bolsonaro enquanto fazia acenos a Luiz Inácio Lula da Silva, justamente o maior antagonista do campo conservador.
A pergunta que se impõe é inevitável: que direita é essa que, diante de um projeto de poder, relativiza seus próprios princípios? Estaria o PL no Rio Grande do Norte disposto a trilhar a velha máxima maquiavélica de que “os fins justificam os meios”? Se for esse o caminho, há um custo, e ele não é pequeno. Perde-se identidade, perde-se coerência e, sobretudo, perde-se a confiança de uma base que não se mobiliza apenas por conveniência eleitoral, mas por valores.
Não se trata aqui de negar a complexidade da política, tampouco de ignorar a necessidade de alianças. Mas há limites. Quando o pragmatismo ultrapassa a linha da convicção, o eleitor percebe. E cobra.
Particularmente, sigo firme naquilo que sempre defendi. Continuo afeto às pessoas que não abrem mão dos valores cristãos e judaicos, que sustentam a família, a liberdade e a verdade como pilares inegociáveis. A política pode até ser o terreno da estratégia, mas jamais deveria ser o espaço da renúncia moral.
No fim das contas, a direita do Rio Grande do Norte precisa decidir: quer vencer a qualquer custo ou quer vencer sendo, de fato, direita?